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Agroindústrias

Brasil Foods será a maior processadora de frango do mundo

Brasil foods será a maior processadora mundial de frango. “Sadigão” vai criar a 5ª maior exportadora do País.

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A união entre Sadia e Perdigão dá origem à maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento. A nova empresa nasce com uma receita líquida anual aproximada de US$ 9,5 bilhões (considerando os dados reportados em 2008), acima do faturamento da líder mundial no segmento de aves, a norte-americana Pilgrim’s Pride, que obteve faturamento de US$ 8,3 bilhões no ano passado. A nova companhia também consolida posição como a quinta maior exportadora do País, ameaçando a posição da quarta colocada, a multinacional Bunge. No varejo brasileiro, a gigante nasce líder absoluta no segmento de congelados, industrializados de carne e margarinas.

De acordo com dados da Nielsen apresentados pelas companhias em suas demonstrações financeiras referentes a 2008, Sadia e Perdigão, juntas, respondem por aproximadamente 80% do mercado brasileiro de produtos congelados, 57% do segmento de industrializados de carne e 67% das vendas de margarinas. Segundo cálculos da Associação Paulista de Avicultura (APA), a nova empresa responde por aproximadamente 33% do abate nacional de aves e por 31% de suínos. Nas vendas externas de carne de frango, a fatia da companhia será de 52%, em volume. Nas exportações de suínos, a participação será de 42%.

Além da liderança em aves e suínos, as duas companhias também mantêm uma atividade inicial no segmento de bovinos. A Perdigão, que nos últimos anos se esforçou para diversificar seu portfólio, vem crescendo no segmento de leite e derivados, com uma fatia de 14% no mercado de processados de lácteos. Já a Sadia preferiu ficar de fora desse segmento, priorizando a internacionalização.

Especialistas em gestão têm uma perspectiva positiva sobre ganhos de sinergia que a união entre Sadia e Perdigão proporciona. Uma análise conservadora elaborada pela Brascan Corretora estima em R$ 2,2 bilhões os ganhos de sinergia gerados a partir da fusão. Contudo, a responsável pelo cálculo, a analista Denise Messer, ressalta que esse valor deve ser muito maior, pois seus cálculos incorporam apenas os ganhos de eficiência da nova empresa, estimado a partir das margens das despesas operacionais e do Capex (investimento em ativo permanente) da empresa mais eficiente entre as duas. A especialista ressalta que, à primeira vista, há benefícios difíceis de se calcular em um primeiro momento.

Entre eles, estão os ganhos em transporte e logística que a associação das operações proporcionará, por meio da união de entregas ao varejo e centros de distribuição. A nova empresa, que nasce com 120 mil funcionários, também terá economias em despesas, o que deve implicar em corte de pessoal, especialmente na área administrativa. Apesar da possibilidade de haver sobreposição em algumas atividades, a fusão trará ganhos de receita e custos, devido ao maior poder de barganha que a gigante de alimentos terá junto a fornecedores e clientes.

Ao final de 2008, a Sadia mantinha 17 unidades industriais próprias e 12 centros de distribuição no País. Já a Perdigão operava 25 unidades industriais de carnes, 15 fábricas de lácteos e 28 centros de distribuição no Brasil. As informações constam no relatório anual das duas companhias.

Valor de mercado

O ganho de sinergia gerado a partir da fusão deve proporcionar um incremento de cerca de 20% no valor de mercado das duas empresas juntas, calculado em R$ 10,6 bilhões considerando o fechamento de sexta-feira, 15, na Bovespa. Assim, mesmo sem considerar os ganhos de sinergia, a nova companhia já assume a primeira posição em valor de mercado entre as empresas brasileiras, ultrapassando a JBS Friboi, a maior indústria de carnes do mundo, cujo valor de mercado ronda os R$ 9 bilhões, de acordo com dados da Economática.

Já em faturamento, a nova companhia ainda fica atrás do Friboi. Entre as empresas com atividade de abate nas Américas, a resultante da fusão entre Sadia e Perdigão ocupa a terceira colocação, atrás somente da Tyson Foods, que faturou US$ 27 bilhões no ano passado, e da brasileira Friboi, cuja receita somou US$ 12 bilhões no período.

Considerando o setor de alimentos como um todo, a gigante nacional ainda fica longe da liderança. O primeiro lugar no ranking elaborado pela Economática é ocupado pela norte-americana ADM, que teve receita de US$ 78 bilhões no ano passado. Na segunda posição aparece a Kraft Foods, com faturamento de US$ 42 bilhões, seguida por Tyson. A quarta posição é ocupada pelo moinho General Mills, com receita de US$ 14 bilhões, à frente de Sara Lee, Friboi, Kellogg e Dean Foods – com exceção da brasileira, todas empresas têm origem nos Estados Unidos. A Pilgrim’s ocupa a décima colocação.

Liderança global

A união entre Sadia e Perdigão favorece a criação de uma grande transnacional brasileira. As exportações das duas companhias representam entre 40% e 50% de seu faturamento e ambas contam com representações comerciais em dezenas de países.

A Sadia inaugurou no ano passado uma fábrica em Kaliningrado, na Rússia, que chegou a ser colocada à venda para cobrir as perdas com derivativos, e já consolidou sua marca junto ao consumidor final em diversas nações. Na Arábia Saudita, por exemplo, a companhia possui 25% de participação de mercado.

Já a Perdigão avançou no processo de internacionalização com a compra, em 2008, da Plusfood, empresa de processados de carnes na Europa, o que possibilitou que a companhia pudesse operar no segmento de processados e refrigerados naquele país, através de três unidades industriais.

Diante da experiência das empresas no mercado internacional, da alta competitividade do frango brasileiro e da força da marca Sadia em determinados mercados, a companhia que surge a partir da união anunciada hoje teria todas as condições para consolidar a sua presença como líder de mercado mundial, acreditam especialistas.

Enfim, juntas

Durante anos – e até mesmo em alguns momentos nos últimos meses, quando as negociações para uma associação foram finalmente assumidas pelas duas companhias -, a união entre Sadia e Perdigão era vista com desconfiança por alguns agentes do setor e analistas de mercado, devido ao conturbado histórico entre elas. Segundo o próprio presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, esta foi “a quinta ou sexta tentativa” de associação das duas companhias. Prova de que o acordo não foi fácil.

Em 2006, a Sadia tentou comprar a Perdigão ao apresentar uma oferta hostil. A proposta não foi só recusada pela rival como serviu de alavanca para o crescimento da empresa. Desde a oferta, a Perdigão comprou a divisão de margarinas da Unilever (incluindo a marca Doriana), um frigorífico em Mirassol d’Oeste (Mato Grosso), a Plusfood e a Eleva, ampliando a sua participação no mercado de frangos e lácteos. Tornou-se, portanto, mais agressiva e diversificada – postura que agradou ao mercado financeiro.

A posição da Sadia, por sua vez, ficou enfraquecida após o episódio com as operações com derivativos, no ano passado. No balanço financeiro de 2008, a empresa informou que as perdas com derivativos somaram R$ 2,55 bilhões, dos quais R$ 705 milhões tiveram impacto no caixa da empresa no ano passado e R$ 1,845 bilhão eram referentes à antecipação de perdas futuras. A empresa tem contratos de derivativos em aberto até setembro deste ano e uma dívida de curto prazo de R$ 5,7 bilhões. Foi esse passivo que pressionou a companhia a procurar uma forma de capitalização e acabou viabilizando a união com a Perdigão.

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