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As Lições que o Brasil não Aprendeu com o Agronegócio – por Fabiano Coser

Definitivamente o Brasil não aprendeu com as lições do campo, onde há mais de duas décadas o agronegócio cresce de maneira sustentável.

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As Lições que o Brasil não Aprendeu com o Agronegócio – por Fabiano Coser

01 de dezembro de 2015. O primeiro dia do último mês do ano foi marcado pela intensa discussão em relação a avalanche de números negativos que se abateu sobre a economia brasileira com a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2015. Uma queda de  4,5% em comparação ao mesmo período do ano passado de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o pior resultado da série histórica que se iniciou em 1996. Definitivamente o Brasil não aprendeu com as lições do campo, onde há mais de duas décadas o agronegócio cresce de maneira sustentável, com previsão de crescimento de 4,4% do Valor Bruto da Produção (VPB) agropecuária em 2015, segundo estimativa da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Enquanto a economia derrete o agronegócio floresce.

Não, o agronegócio não está em crise. Os números da economia brasileira são ruins sob todas as perspectivas. Além da queda de 4,5% em relação ao terceiro trimestre de 2014, o PIB brasileiro recuou 1,7% também em relação ao segundo trimestre de 2015, e no acumulado dos últimos 12 meses a queda já chega a 2,5%. A previsão do mercado, divulgada no início desta semana pelo boletim Focus do Banco Central, é de uma queda de 3,19% em 2015 e de 2,04% em 2016, um biênio de recessão, coisa que aconteceu pela última vez no país em 1930, em razão da queda da bolsa de Nova York que abalou a economia mundial. Vamos presenciar o pior desempenho econômico em 85 anos.

Na comparação internacional a situação não é menos desagradável. Em um grupo de 42 países, o Brasil teve o penúltimo pior desempenho neste terceiro trimestre de 2015, ganhado apenas da Ucrânia, que assolada por uma guerra civil vai perder 7% do seu Produto Interno Bruto. Também fazem parte do time que teve o pior desempenho econômico nesta comparação mundial a Rússia, com queda de 4,1%, e a Venezuela, com queda de 2,3%. São esses os países com os quais hoje comparamos a nossa economia. A maior contribuição para este resultado desolador veio do setor industrial, que no terceiro trimestre do ano acumulou perda de 6,7%, e mesmo a proximidade do final de ano, tradicional época de aquecimento da economia, não vai ser capaz de tirar o país da inércia.

Neste resultado do terceiro trimestre de 2015 até mesmo a agricultura teve uma queda. No entanto, a perda de 2,0% no resultado do campo é muito mais o reflexo de uma variação sazonal, lembrando que o setor cresceu 5,4% no primeiro trimestre e 2,2% no segundo trimestre desse ano segundo o IBGE. Mas não se pode falar em crise num setor que ano após ano bate recorde de produção, que aumenta sistematicamente sua produtividade, fazendo cada vez mais com menos, o que o governo infelizmente ainda não aprendeu. Neste cenário de recessão o único crescimento foi justamente o das despesas da máquina federal, que aumentou o gasto público em 0,3%.

Na contramão dos inúmeros resultados negativos segue avante o agronegócio brasileiro. Nos últimos 20 anos a produção de grãos cresceu 175,6%, passando de 76 milhões de toneladas em 1994 para um total de 209,5 milhões de toneladas na safra 2015/16. Neste mesmo período, a área plantada passou de 39,1 para 58 milhões de hectares, um crescimento de apenas 48,33% do uso do solo, lição de produtividade que o setor público não consegue implementar. Em 2015, o Valor Bruto da Produção agropecuária, resultado do volume produzido vezes o preço de mercado, vai crescer 4,4%, com a agricultura crescendo 2,7% e a pecuária incrementando incríveis 7,2% no seu resultado de 2015 ante o resultado de 2014.

Os recordes não param por aí. O VBP de soja vai crescer 10,4% neste ano, para um total de R$ 106,5 bilhões. A exportação da oleaginosa em 2015, no acumulado até novembro, já é 17,3% superior ao ano passado inteiro. Em 2014, o Brasil exportou 45,7 milhões de toneladas de soja, neste ano, até o mês de novembro, os embarques internacionais já chegaram a 53,6 milhões de toneladas. Com o milho o desempenho internacional também é recorde. Até novembro o Brasil exportou 22,6 milhões de toneladas do cereal, um crescimento de 9,7% em relação ao ano passado inteiro, em que foram comercializadas 20,6 milhões de toneladas do grão no exterior.

Na pecuária, com ritmo de crescimento chinês, o destaque é para carne bovina, que neste ano vai crescer 14,5% o seu Valor Bruto da Produção segundo a última estimativa da CNA, do início de outubro, chegando a R$ 96,5 bilhões em 2015. No campo internacional, as recentes aberturas de mercado para carne brasileira devem assegurar um recorde de mais de 7 bilhões de dólares na exportação de carne bovina em 2016. Assim como na soja, a Ásia vai se consolidando como o mais importante destino da carne brasileira. Em 2007, a região respondia por apenas 6% das exportações brasileiras de carne de boi, em 2014 essa participação pulou para 27% e em novembro de 2015 a região foi destino de 40% de toda exportação brasileira.

A pujança da produção e das exportações do campo brasileiro podem ser traduzidas em diferentes indicadores, mas num período em que a variação cambial chegou ao limite do insuportável, onde por diversas vezes o Banco Central foi obrigado a vender dólares para segurar a especulação do mercado, o agronegócio mais uma vez segurou as pontas. Em 2002, o Brasil detinha reservas no valor de US$ 16,3 bilhões, e graças às exportações agropecuárias – que impediram sucessivos déficits na balança comercial brasileira –, o país chegou ao final de novembro com US$ 368,97 bilhões em caixa de acordo com o relatório diário de reservas do Banco Central do Brasil.

Os números não deixam dúvidas, o agronegócio é um oásis de boas notícias em um cenário que já não é de recessão e sim de depressão. Não só o governo brasileiro pode tirar lições do mundo rural, mas também os brasileiros deviam admirar o mais importante segmento da economia nacional. Se a sociedade não for capaz de admirar, tem ao menos o dever de respeitar o mundo rural, nem que seja apenas por uma questão de sobrevivência e exemplo de algo que deu certo no Brasil.

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