Consultor Charlie Arnot defende que setor deve garantir sua “licença social” e evitar dificuldades e prejuízos
“Transparência é chave para ter a confiança do consumidor”, diz especialista

O estadunidense Charlie Arnot frisou que a transparência na comunicação com a sociedade é indispensável para garantir a “licença social” para a suinocultura, em sua palestra no 12º Seminário Internacional de Suinocultura – Agroceres PIC.
O CEO do Center for Food Integrity explicou que, apesar de uma fantástica indústria alimentícia, os consumidores acreditam cada vez menos nas empresas do setor, em instituições governamentais ou mesmo em argumentos científicos.
“Este foi um processo de décadas que fez o público ficar cético das instituições, das autoridades. Nos últimos 45 anos, os alimentos ficaram mais seguros, baratos e acessíveis. Mas o público vê o agronegócio como uma mesma instituição, que só visa o lucro, polui, desmata e maltrata animais”, sintetizou.
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Já que os alimentos são um item muito importante para todas as pessoas, recuperar a confiança dos consumidores é crucial para evitar uma série de dificuldades e prejuízos, inclusive para garantir a continuidade das indústrias.
“Este quadro exige a licença social, ou seja, a aceitação por parte da sociedade de que determinada atividade ou empresa cumpre valores, princípios e é transparente a ponto de ser respeitada”, detalhou.
Temas sensíveis
No caso da suinocultura, Charlie destacou temas polêmicos como o uso de gaiolas individuais, o manejo animal, o bem-estar e o uso de antibióticos, entre outros.
“A comunicação do setor deve ser transparente a ponto de admitir erros, mostrar o que está errado e agir para compartilhar valores com a sociedade. Neste caso, a comunicação tradicional não funciona”, destacou.
No passado, prossegue, a autoridade era reconhecida pelo cargo de um interlocutor e, atualmente, se dá pelo relacionamento. Do mesmo modo, o consumidor tem muito mais diversidade de informação e nem todo tipo de tecnologia é valorizada, entre outros aspectos.
A construção de uma relação de confiança passa por compartilhar valores, ser honesto e, principalmente, transparente. “Valores sociais compartilhados são de 3 a 5 vezes mais importantes para gerar confiança do que competência ou estudos científicos”, argumentou.
Para o especialista, o agronegócio e seus especialistas têm os dados e podem construir este tipo de relação, mas poder é diferente de fazer. “Além disso, dever também é diferente de poder. O conhecimento mostra que deveríamos fazer esta mudança na relação com a sociedade”, frisou.
Ele relata o exemplo das Ongs, que já entram nos debates com superioridade moral e mais aceitação pública, uma vez que as empresas sempre são vistas preocupadas apenas com o lucro. “Devemos admitir claramente que devemos produzir de maneira sustentável, responsável e segura, e agir com muita transparência”, alertou.
Como ser transparente?
Os sete passos para ser transparente na relação com a sociedade são, segundo o especialista, a motivação, a abertura, a participação, a relevância das informações, a clareza das mensagens, a credibilidade e a precisão do discurso.
“Nossa pesquisa do Center for Food Integrity mostrou que a transparência não é mais opcional. A opinião de um grupo de mães, por exemplo, podem ter mais peso do que de um especialista. Infelizmente, fatos científicos não são mais suficientes”, comparou.
Mas há oportunidades para estabelecer esta relação de confiança por meio da comunicação. “Por exemplo, atualmente há grande interesse sobre o que o alimento contem ou como é feito. Assim, é importante demonstrar como são as práticas de produção e responder as questões de forma rápido”, acrescentou.
Por fim, o especialista defendeu que comunicar valores torna as informações técnicas menos relevantes. “Isso requer uma mudança de pensamento e comunicação. As pessoas não se importam o quanto você sabe até que saibam o quanto você se importa”, finalizou.





















