Mário Lanznaster é Presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC
Roubo de cargas: Um flagelo para a economia – por Mário Lanznaster

Produzir no Brasil está cada vez mais difícil. Não bastasse a alta carga tributária, as graves deficiências de infraestrutura e as dificuldades logísticas, um outro flagelo atinge a indústria nacional de alimentos: o roubo de cargas.
O último levantamento disponível da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística revela que as ocorrências de roubo de carga cresceram 10% em 2015, na comparação com o ano anterior. Foram 17,5 mil casos em 2014 contra 19,2 mil em 2015, gerando um prejuízo de 1,12 bilhão de reais. As cargas mais visadas foram produtos alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos, produtos químicos, têxteis, autopeças, combustíveis e bebidas. O levantamento aponta diminuição no roubo de produtos metalúrgicos e aumento do roubo de bebidas.
O estudo aponta que, nos últimos cinco anos, a incidência de roubo de cargas no Brasil aumentou 48%, com um prejuízo acumulado de 5 bilhões de reais. O buraco negro está no Sudeste: essa região concentra 85,76% dos casos, sendo que o estado de São Paulo teve o maior número (44,11%) e o Rio de Janeiro sofreu a maior expansão do índice, que subiu de 33,54% para 37,54%, além de ser a campeã em valores das perdas.
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Setores público e privado devem ampliar os esforços para reduzir a prática desse crime. Os Estados vêm criando Delegacias Especializadas em roubo de cargas e as empresas estão investindo cada vez mais em prevenção. Mas, é preciso ampliar o nível de cooperação entre os órgãos de segurança e o empresariado, assim como é essencial aperfeiçoar as ações de inteligência policial. Tornou-se mister ampliar as investigações sobre os receptadores, pois, esses são os que verdadeiramente alimentam e estimulam o crime organizado.
É consenso que, para ter sucesso, esse crime conta com uma rede de agentes criminosos na busca de informações e no planejamento dos eventos. De outra forma, como explicar que – no caso do transporte de produtos alimentícios cárneos – as cargas de baixo custo são ignoradas e aquelas com produtos de alto valor agregado são seletivamente visadas e atacadas?
O roubo de cargas representa um prejuízo fatal para muitas empresas, encarece o seguro, dificulta o transporte, inflaciona o preço final de muitos produtos e destrói o ambiente de negócios. Uma política nacional de combate a esse crime tornou-se imperiosa.





















