Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 66,45 / kg
Soja - Indicador PRR$ 120,17 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 125,93 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,81 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 5,56 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 5,67 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 5,27 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 5,18 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 5,42 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 156,60 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 156,52 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 174,22 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 178,89 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 148,58 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 167,80 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,34 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,36 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.339,61 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.227,34 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 180,12 / cx
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Comentário

A onda antitecnológica na agricultura – por Marcos Jank

É a produtividade que gera segurança alimentar, reduz a fome, evita migrações maciças; é ela que gera a paz.

A onda antitecnológica na agricultura – por Marcos Jank

O Dr. Fernando Penteado Cardoso, fundador da Manah, é o decano dos engenheiros agrônomos brasileiros. Aos 102 anos, sua inteligência e lucidez são fenomenais.

Comentando a minha coluna anterior, sobre os erros do Índice de Sustentabilidade de Alimentos da EIU-Barilla, no qual fomos punidos por usar fertilizantes e defensivos em demasia, ele me lembrou de que, sem correção de solos e adubação química, nunca teríamos ocupado os cerrados brasileiros, originalmente ácidos e muito pobres em nutrientes.

Ele me enviou um texto incrível escrito por Norman Borlaug, o pai da “Revolução Verde”, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1970 em reconhecimento pelo seu trabalho no desenvolvimento de tecnologias para aumentar a produtividade da agricultura nos países em desenvolvimento.

O texto “Agricultura, ecologia e a onda antitecnológica” foi escrito por Borlaug em março de 1996, mas não poderia ser mais atual. Ele critica o maniqueísmo dos ecofundamentalistas daquela época que defendiam velhos sistemas de baixa produtividade da agricultura de subsistência como mais “sustentáveis”. A onda antitecnológica seria baseada em adubação orgânica, variedades nativas propagadas pelos próprios agricultores e nenhum uso de defensivos.

Vinte anos depois, o mercado e a competição selecionaram os agricultores mais eficientes. Milhões de produtores não tecnificados acabaram migrando para as cidades, o que transferiu boa parte da pobreza rural para o meio urbano. Mas a onda antitecnológica não desapareceu e hoje ganha novos contornos.

Capitaneada por influentes grupos europeus, a nova onda vem de consumidores com maior poder aquisitivo que valorizam alimentos produzidos localmente com menor intensidade tecnológica, próximos dos centros de consumo e com mínimo impacto ambiental. Ela é composta por um vasto cardápio de sistemas alternativos de produção: orgânicos, free-range (criação de animais soltos, sem instalações), veganos, sem uso de defensivos, livres de transgênicos e de antibióticos, com baixa emissão de gases de efeito estufa, entre outros.

Nessa toada, os vilões passam a ser as commodities e os alimentos importados, o uso de insumos modernos, os produtores de grande escala, os biocombustíveis e o consumo de carnes. Atacam-se os arrotos dos bovinos que causariam o aquecimento global, sem conhecer o ciclo das pastagens de alta produtividade que reduz emissões.

Ataca-se a produção de soja e milho destinada à produção de rações, que supostamente alimentariam modelos “insustentáveis” de pecuária. Nas raias da loucura, afirma-se que a solução para alimentar o nosso planeta hiperpopuloso estaria em fazendas verticais em zona urbana e na produção caseira de proteínas à base de insetos comestíveis.

Não tenho nada contra consumidores dispostos a pagar o dobro ou o triplo por alimentos com essas características. Trata-se de um segmento importante do mercado, principalmente nos países ricos.

Meu problema está na afirmação de que essas opções seriam o “certo” e que tudo que se avançou em tecnologia e sustentabilidade da agricultura no último século estaria “errado”.

Uma das maiores questões do século 21 é: como criar cadeias de suprimento eficientes para alimentar mais de 10 bilhões de pessoas, num contexto de recursos naturais escassos? O professor Borlaug dedicou a sua vida à única resposta plausível para essa pergunta: produtividade.

É ela que gera segurança alimentar. É ela que reduz o desmatamento e que gera alimentos mais baratos que podem reduzir drasticamente a fome. É ela que evitaria as migrações maciças de pessoas a que temos assistido no mundo. É ela que gera a paz.

E é nesse item que o Brasil avançou mais do que qualquer outro país, graças às tecnologias tropicais e à competência dos nossos agricultores. 

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