Cooperativas importantes, como Aurora e Frimesa, estão com abates suspensos devido à greve
Suinocultura sofre com paralisação dos caminhoneiros

Dentre as principais atividades da economia brasileira, a suinocultura é uma das que mais têm sido afetadas pela greve dos caminhoneiros. Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta que dentre 30 atividades a de suínos é uma das três que mais têm prejuízos, ao lado dos setores da avicultura e de leite. Cooperativas importantes, como Aurora e Frimesa, estão com abates suspensos devido à greve.
Nos últimos dias, o cenário verificado no mercado de suínos é bastante parecido com o de aves, com muitos produtores racionando o uso de insumos, enquanto frigoríficos reduzem ou paralisam os abates. Segundo o Cepea, em alguns poucos casos, o pecuarista consegue negociar com frigoríficos próximos, em localidades em que os acessos estão liberados. Nestas situações, os valores negociados estão bastante dispersos dos de outras regiões.
Indústrias paradas
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A Aurora, uma das maiores empresas de proteína animal do País, havia divulgado na última semana a paralisação total nas atividades de seus frigoríficos. Já nesta terça-feira (29) anunciou a retomada gradual em suas plantas. A suspensão total das atividades tinha se tornado imperativa e inevitável, segundo a cooperativa central, em razão dos efeitos do movimento grevista que impedia a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos.
“A capacidade de estocagem de produtos frigorificados – de 50 mil toneladas – está exaurida”, alertou a Aurora, apontando que o problema prejudica seu plantel de 1,260 milhão de suínos. Em valores, a empresa estimou prejuízo de R$ 50 milhões.
A Dália Alimentos foi outra a interromper as atividades devido à greve, que chegou nesta terça-feira ao nono dia. O abate de suínos na unidade frigorífica da empresa está suspenso desde a sexta-feira (25). Foram dispensados 1.200 empregados. A Dália ainda não contabilizou os prejuízos. A Frimesa, cooperativa de produtos alimentícios estabelecida em Medianeira, na região oeste, também suspendeu o abate de seus 8 mil suínos ao dia por tempo indeterminado. Segundo a empresa, 15% desse total é voltado à exportação.
Abalo nas exportações
Antes da paralisação, o setor da suinocultura estava animado com a notícia da possível retomada das compras da carne por parte da Rússia. Além disso, as primeiras cargas de cortes suínos ao mercado sul-coreano também estavam sendo negociadas, ressalta o Cepea.
Nas duas primeiras semanas de maio, as exportações de carne suína in natura registraram crescimento na comparação com abril – em média diária –, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Foram US$ 44,2 milhões exportados, o que equivale a US$ 5,5 milhões diários.
Em abril, as exportações de carne suína in natura atingiram US$ 4 milhões por dia. Ou seja, nas duas primeiras semanas – antes, portanto, do início da greve – as exportações em valores monetários tinham sido 38% maiores. O Mdic não divulgou o resultado parcial da balança comercial de maio, o que deve fazer apenas com os valores fechados para esse mês, na sexta-feira (1º de junho).






















