Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 67,24 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 147,67 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 153,90 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 9,25 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,31 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,46 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,66 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,58 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,62 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,07 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 143,86 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 150,64 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 162,44 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 131,98 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 145,79 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,38 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,40 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.538,46 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.454,59 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 154,26 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 135,63 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 158,66 / cx
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Comentário

Turbulências exigem foco em 2019

Precisamos focar nas prioridades, evitando criar novos problemas ou distrações.

Turbulências exigem foco em 2019

Se o novo governo conseguir focar as prioridades do país, o Brasil terá todas as condições de iniciar um novo e robusto ciclo de crescimento em 2019.

Na área econômica, o foco deveria estar no reequilíbrio das contas públicas, com uma reforma profunda da Previdência, a única prioridade real do primeiro semestre. Na área social, a prioridade é a segurança do cidadão, num país que lamentavelmente se posiciona entre os mais violentos do mundo.

Se o governo obtiver resultados concretos nessas duas áreas, vai ter imenso cacife e apoio para avançar nas demais reformas. O lema, portanto, é “foco e resultado”.

Ele vale também para a área internacional. Tudo indica que viveremos grandes turbulências em 2019. O aumento dos juros e do endividamento dos países após uma década de taxas ultrabaixas no mundo rico deve prejudicar os emergentes. O corte de impostos de Trump levou o déficit fiscal dos EUA a 6% do PIB, o mais alto da sua história em períodos normais. Na Europa, estamos vendo o fracasso do “brexit” no Reino Unido e graves traumas na França e na Itália.

Vários sinais indicam que entramos num processo de “desglobalização”, com a retomada de políticas nacionalistas. Exemplos são o movimento antiglobalista, que quer deter a migração no mundo, e o “comércio administrado” país a país, que pode erodir todo o esforço multilateral da OMC.

A disputa EUA-China vai se transformando na primeira guerra hegemônica do século 21. Mais do que uma “guerra comercial”, estamos assistindo a uma “guerra tecnológica” que envolve direitos de propriedade, renacionalização de indústrias e principalmente o domínio do mundo digital, da inteligência artificial à computação quântica.

Nesse contexto amplo e desafiador, é um erro o Brasil querer optar entre árabes e judeus ou entre os EUA e a China.

Entendo perfeitamente que o novo governo queira marcar posição contra países bolivarianos —Cuba e Venezuela, por exemplo. É louvável e necessária a decisão do ministro Paulo Guedes de abrir a economia brasileira e se integrar mais às cadeias globais de valor.

Acho fundamental a retomada das relações com os EUA, relegadas a segundo plano nos últimos 15 anos. Achei incrível a decisão do novo Chanceler Ernesto Araújo de criar o Departamento do Agronegócio, reforçando a ação do Itamaraty num segmento que exporta para mais de 200 países e depende de políticas comerciais mais ativas.

Mas isso não significa que o Brasil deva se alinhar automaticamente à agenda dos EUA. Primeiro, porque o America First é basicamente uma política protecionista que vai reduzir o papel dos EUA no mundo com bandeiras anti-integração e anticomércio. Segundo, porque há grande probabilidade de Trump não ser reeleito daqui a dois anos.

A China, por sua vez, está expandindo sua presença global com o programa de infraestrutura “um cinturão, uma rota” (BRI), iniciativa que pode ajudar bastante na retomada do nosso crescimento. Não faz sentido nos divorciarmos do país que é hoje o nosso maior cliente e investidor.

O fato é que não deveríamos copiar agendas alheias, mas sim buscar entender esse momento difícil e focar nossos interesses e prioridades. Gastamos enorme tempo e recursos com questões e problemas que nós mesmos criamos e que nem deveriam existir. Vamos focar o que é mais importante.

Desejo um ótimo 2019 para todos que vem acompanhando minhas modestas reflexões sobre o mundo em que vivemos. A maior parte dos meus artigos trata de temas ligados a agricultura e alimentos, que são elementos fundamentais para construir a paz no mundo.

É disso que o mundo precisa, é disso que o Brasil desesperadamente precisa.

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