O encontro gerou propostas que vão movimentar o setor e cobrar ações mais efetivas e emergenciais das autoridades responsáveis pela agricultura do Estado de SP.
Suinocultura paulista debate impactos da crise no setor
Segundo Valdomiro Ferreira Júnior, presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o encontro serviu para buscar alternativas de sobrevivência da suinocultura independente. Cerca de 120 pessoas entre criadores, técnicos veterinários, empresas, frigoríficos e especialistas compareceram à mesa redonda.
O encontro gerou propostas que vão movimentar o setor e cobrar ações mais efetivas e emergenciais das autoridades responsáveis pela agricultura do estado de São Paulo.Leia também no Agrimídia:
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Dentro do panorama nacional, a região Sudeste produziu 562 mil toneladas de carne suína e contribuiu com 19,4% da produção brasileira em 2002. O Brasil é atualmente o quinto maior produtor mundial e o quarto maior exportador de carne suína, está em segundo lugar no ranking de produção de soja e em terceiro na produção de milho.
Para Luciano Roppa, veterinário e debatedor, as principais causas da crise que assola o setor a cerca de quinze meses são a falta de milho para abastecer o mercado interno, o excesso de produção suinícola e a queda da demanda. Conseqüência de baixas no poder aquisitivo do consumidor, que de acordo com o IBGE registrou queda de 3,84%, além do aumento do desemprego de 11,6% em março de 2003. Estima-se que com a crise a diminuição no número de criadores de suínos no Brasil alcance 280 mil matrizes e a destruição de capital possa chegar a US$ 160 milhões.Propostas – Entre as propostas levantadas, o veterinário Abraão Antonio Ferreira Abrahão sugeriu a criação da “Suíno Escola”, para desmistificar o consumo da carne suína desde a primeira infância e trabalhar a divulgação do produto in natura. Outra medida que deve ser adotada é a transferência dos fóruns de discussões para a Câmara Setorial da Carne Suína Paulista.Para a veterinária Maria Nazaré Lisboa, o setor precisa se profissionalizar cada vez mais e investir sempre em assistência técnica, já que o objetivo é se diferenciar.
Selo Suíno PaulistaOs suinocultores estão prestes a conquistar, através da APCS, o Selo Suíno Paulista, que integra o projeto Produto de São Paulo, da Secretaria da Agricultura do Estado.Ferreira Júnior disse que a conquista é importante porque certificará a origem do produto, gerando maior credibilidade para o consumidor. O setor pretende com a iniciativa diferenciar o produto paulista dos demais estados.
Outra providência que deve ser tomada é o desenvolvimento de novos sistemas de comercialização, através de contratos mais seguros. O setor pretende ainda buscar recursos para investir em campanhas de marketing, para estimular o aumento do consumo da carne.
Tudo indica que a luta da cadeia produtiva vem de encontro com melhores perspectivas para o próximo semestre.
A reabertura do mercado russo deve fomentar as exportações brasileiras, que deve registrar crescimento de 15% se comparadas a 2002. A previsão é de embarques de 550 mil toneladas contra 475 mil do ano passado.
E o governo inovou com políticas positivas para a safra de milho 2002/2003, com mecanismos inéditos para estimular o plantio, além de boa estratégia de comercialização da safrinha. Que deve atingir o recorde de 10 milhões de toneladas. A previsão da safra total é de 37 milhões de toneladas. E como há queda no consumo devido à suinocultura, os preços devem cair. Outras informações: Fone/Fax: (19) 3651-1233





















