O movimento leva em conta fatores desconsiderados na agricultura convencional para potencializar os efeitos benéficos dos alimentos.
Produção biodinâmica tem de se adequar à realidade do Brasil, diz o empreendedor
Redação (17/12/2008)- Referência em sustentabilidade agropecuária, a Fazenda Tamanduá é também a maior produtora do país, em volume e área, de alimentos biodinâmicos, mercado ainda restrito no Brasil.
O movimento, surgido na Alemanha no século passado, leva em conta fatores desconsiderados na agricultura convencional para potencializar os efeitos benéficos dos alimentos – por esse motivo é tido como mais completo que os orgânicos. Além de não usar agrotóxicos, os biodinâmicos atentam para a influência lunar e utilizam compostos no solo e nas plantas, como chás, chifres, cascas de ovo e cristais.
Os animais são outro ponto de destaque: o respeito à integridade está acima do bem e do mal.
Leia também no Agrimídia:
- •Nova UPL da Colonias Unidas inicia operação no Paraguai com suporte técnico da Agroceres PIC
- •Exportações de frango batem recorde de 493 mil toneladas e setor monitora conflito no Oriente Médio
- •Exportações de ovos atingem maior volume para fevereiro desde 2013
- •Rio Grande do Sul intensifica ações contra influenza aviária
O problema, afirma Pierre Landolt, proprietário da Tamanduá, é quando o conceito alemão esbarra na realidade brasileira. No caso de Pierre, que administra uma área de três mil hectares, o primeiro obstáculo está na utilização de tração animal para a aragem da terra, uma das recomendações do movimento. "Como vou fazer isso? Só funciona para a pequena propriedade. Aqui, tenho que usar máquinas", que não faltam na fazenda.
Outra dificuldade está em encontrar alguns preparados biodinâmicos, como bexiga de cervo (animal em abundância na Europa) e pós de determinadas rochas. Hoje, esses elementos são vendidos apenas pela Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD), que os importa.
Criador de gado bovino, Pierre mantém na Tamanduá as fêmeas para produção de leite e queijo biodinâmicos, e redireciona os animais machos para uma outra propriedade, onde são criados pela maneira convencional e vendidos aos 12 meses de idade.
Seria uma operação normal não fosse um detalhe: a comercialização só é feita com animais descornados, uma prática feita nos primeiros meses de vida do animal e considerada inaceitável pelo movimento biodinâmico. "Tivemos de chegar a um acordo com o IBD. Ninguém compra reprodutor com chifre", diz Pierre.
Por esses motivos ele acredita que o IBD, certificadora e representante do selo Demeter no Brasil, deveria iniciar um debate sobre possíveis formas de adaptação do movimento biodinâmico para as necessidades brasileiras. "No movimento orgânico existe o IFOAM (Federação Internacional do Movimento de Agricultura Orgânica), a entidade onde as coisas são discutidas. Por isso, a produção orgânica é flexível. No biodinâmico isso não existe".
Para Alexandre Harkaly, diretor do IBD, esses debates existem livremente, embora existam imagens que não correspondem com a realidade. "A mecanização é claramente isso. O movimento não obriga o uso de tração animal. Essa exigência é um desses dogmas que são construídos".
Segundo ele, o movimento é flexível, mas tem prerrogativas que fazem parte da filosofia biodinâmica. "Retirar os chifres é aviltar o animal", diz ele





















