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SNDS

SNDS: Palestra inaugural

Ambiente macroeconômico e distribuição de renda favorecem a suinocultura brasileira, garante Maílson da Nóbrega.

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As grandes conquistas efetuadas pela sociedade brasileira têm caráter irreversível e a estabilidade econômica, evolutiva e continuada, desde os anos 90, tende a apresentar efeitos positivos diretos sobre o setor de produção de carne suína do País. Este é um dos pontos que serão abordados na palestra inaugural do XIII Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (SNDS), pelo ex-Ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, hoje diretor da empresa Tendências e considerado um dos principais consultores econômicos do País. O evento será realizado entre os dias 1 e 3 de julho, em Foz do Iguaçu (PR).

Para Maílson da Nóbrega, a evolução sistemática da renda no Brasil desemboca necessariamente no fortalecimento do mercado interno e no aumento do consumo de proteína animal, de todas as origens. “Na Tendências, temos feito uma reflexão, com base em fundamentos técnicos, históricos e políticos, que vai no sentido de que o Brasil cruzou uma linha, um Rubicão, que não tem mais volta – e dificilmente vai retroceder nessa trajetória”. Ressalvando que sua visão não é

otimista, de uma maneira simplificada, muito menos ufanista, mas realista e apoiada nos fatos, Maílson lembra que “tem muita coisa ainda para resolver, como as questões tributária, de educação, de infra-estrutura e de logística, mas estamos no caminho certo”.

Nesse sentido, o panorama seria favorável para a suinocultura nacional, diante da tendência de continuidade do crescimento da renda e de sua melhor distribuição. “Ganhos de renda produzem mudanças de hábitos alimentares”, diz o ex-Ministro, “as famílias vão consumir menos carboidratos e mais proteínas, como aliás, já está acontecendo com os chineses”.

No SNDS

A palestra de Maílson da Nóbrega, prevista para durar uma hora, é dividida em três etapas distintas. Na primeira, o economista vai apresentar sua visão sobre a crise econômica, explicar “porque já chegamos ao fundo do poço, e porque esse fenômeno trouxe uma realidade nova, que é a emergência de países que antes não eram atores globais, e o Brasil é um deles”.

Na segunda etapa, Maílson analisa a conjuntura para os próximos meses, sinalizando tendências para a atividade econômica,taxas de juros, inflação, e as repercussões do quadro sucessório sobre a economia.

No último período, Maílson da Nóbrega falará sobre o quadro geral da economia brasileira e suas implicações sobre o setor. Para ele, o futuro da suinocultura do País está muito associado ao mercado doméstico. “E a realidade já é esta, para quem produz 3 milhões de toneladas, das quais 500 mil para exportação, o forte já é o mercado interno”, afirmou.

“A nossa empresa de consultoria acertou em cheio, quando, na mudança de governo, mostramos que Lula não tinha condições de alterar a estrutura da economia”, afirma Maílson, para quem o risco de alguém chegar à Presidência, ou ao Ministério da Fazenda, e provocar mudanças importantes de rumo é cada vez menor. “Criamos barreiras institucionais que inibem ações populistas”, comenta, acrescentando que “o custo político e econômico dessas guinadas seriam tão alto que, se tentarem, vão têr que retroceder”. Nesse particular, Nóbrega lembra uma entrevista dada pelo atual Ministro da Fazenda, Guido Mântega, há cinco anos: “é  impressionante, ele está fazendo tudo ao contrário do que falava”.

Para o ex-ministro, existe m aspectos do processo de transição – como a questão agrária, por exemplo – que não podem ser esquecidos, mas que são etapas que estão sendo superadas.Essa transição teria sido iniciada ainda no governo Juscelino, quando começamos a deixar de ser uma sociedade rural para nos transformar-nos em urbana. Depois, no governo militar ainda, começamos a transitar de uma economia fechada, para uma economia mais aberta, de uma renda concentrada, para uma renda cada vez mais distribuída.

“Antes quem liderava o processo era o Estado, hoje o setor dinâmico é  o privado, e o que tento mostrar é que esse processo é irreversível”, diz ele. “Ainda existe o MST, mas isto é um resquício da transição, e a democracia e o direito a propriedade não estão em risco no Brasil”, assegura, lembrando que, na transição enfrentada pelos países desenvolvidos, por muito tempo perdurou essa convivência entre o velho e o novo.

Segundo o palestrante, o fato do Brasil ter triplicado a produção nos últimos 15 anos é uma resultante direta da estabilidade macroeconômcia. “Hoje, o Brasil é menos volátil em termos do PIB, da renda, do emprego, e isto permite às   empresas olhar para mais longe, assumir mais riscos”, assegura. E finaliza dizendo que a questão do posicionamento de mercado da carne suína será

principalmente uma conseqüência da política de divulgação do produto, de reversão da imagem preconceituosa que existe, de articulação com o Governo nesse sentido. “Foi o que a Abiec fez, em última análise”, concluiu Maílson da Nóbrega.

* A palestra de Maílson da Nóbrega no XIII SNDS está marcada para às 20 horas, do dia 01.

 

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