Desenvolvida pela Aprosoja/MS, plataforma georreferenciada transforma alertas de produtores em inteligência territorial para conter a praga e proteger a defesa sanitária
Mapeamento digital vira trunfo no combate aos javalis nas lavouras do MS

A proliferação descontrolada de javalis e javaporcos tornou-se uma das ameaças mais graves ao agronegócio e à fauna nativa no país. Capazes de ultrapassar os 200 quilos, sem predadores naturais e com altíssimo poder de reprodução, esses animais causam prejuízos severos a lavouras, destroem ativos biológicos e geram riscos sanitários e de segurança no campo.
Para enfrentar a expansão do animal invasor em Mato Grosso do Sul, a Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja/MS) — com recursos do Fundems e em parceria com a Semadesc — desenvolveu uma plataforma geotecnológica de mapeamento. A ferramenta transforma dados coletados no campo em inteligência territorial para nortear ações de manejo e controle.
Raio-X dos registros: Sul do estado lidera ocorrências
Com pouco mais de um mês de operação, o sistema já contabilizou 291 animais identificados e validados tecnicamente.
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Embora a presença da espécie invasora (Sus scrofa) seja considerada generalizada pelo estado, a maior densidade de dados concentra-se na região Sul:
Região Sul (Dourados, Antônio João e Rio Brilhante): Concentra 158 javalis e 14 javaporcos.
Fatores de atração: A variação na intensidade das invasões está ligada à oferta de alimento, disponibilidade de abrigo e proximidade de plantações e áreas de produção animal.
“O painel confirma um problema histórico que os produtores rurais enfrentam no dia a dia. A perspectiva é que esse quantitativo aumente nos próximos meses à medida que mais produtores e técnicos passem a utilizar a plataforma”, explica Staël Ribeiro, analista de geoprocessamento da Aprosoja/MS.
Rigor científico: Como funciona a validação dos alertas
Para garantir que a base de dados seja confiável e livre de duplicidades, o sistema adota um fluxo criterioso de checagem antes de publicar qualquer ocorrência no mapa:
Geolocalização precisa: Cruzamento automático das coordenadas de GPS enviadas pelo aplicativo com o cadastro do município e da propriedade rural.
Exigência de evidências: O usuário deve anexar fotos ou vídeos do animal, de suas pegadas ou dos danos causados às lavouras.
Triagem de espécies: A equipe técnica analisa o material para diferenciar javalis e javaporcos de espécies nativas protegidas, como o cateto e a queixada.
Apoio à defesa sanitária e gestão pública
O objetivo final do painel interativo vai além do diagnóstico. Ao identificar manchas de maior concentração das populações ferais, a plataforma fornece dados estratégicos para que os órgãos de defesa sanitária e ambientais possam:
Direcionar recursos e operações de manejo para os focos mais críticos;
Prevenir riscos sanitários, reduzindo a chance de propagação de enfermidades graves para a suinocultura comercial;
Mitigar prejuízos econômicos nas propriedades atingidas.
Fonte: Canal Rural























