Copa do Mundo na África do Sul afeta consumo de carne suína no Brasil. Mercado está fragilizado, diz presidente da APCS.
Copa sem suíno

O bimestre junho-julho é tradicional período de alta de consumo de carne suína. Como faz todos os anos, o setor se preparou para esses dois meses, mas o consumo esperado não está ocorrendo. “O mercado está fragilizado e em queda”, diz Valdomiro Ferreira Júnior, presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS).
Entre os motivos está a Copa do Mundo. “Nesse período, há uma mudança pontual de hábitos alimentares da população, que privilegia a carne bovina”, diz ele.
“Ainda não conseguimos quantificar isso, mas há uma tendência de consumo maior de carne bovina. Bares e restaurantes dão prioridade a essa carne”.
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Enquanto a carne bovina está com preços firmes nas últimas semanas, a suína e a de frango não conseguem valorização, afirma Ferreira.
Ontem, após 35 dias em R$ 1,35 por quilo, o preço do frango reagiu e foi a R$ 1,40.
Mas não é só a Copa que afeta os preços da carne suína no momento. Ferreira diz que a fraqueza de demanda provoca redução de abates.
Além disso, os produtores paulistas sofrem os efeitos de “uma invasão de carne do Sul”, provocada pela queda nas exportações.
Na avaliação da Bolsa paulista de suínos, a arroba está em R$ 49,50 na porta dos frigoríficos, para pagamento em 21 dias. Esse preço praticamente empata com os custos, que estão em R$ 48,75.
Esse diferencial mostra margem bem menor do que a de maio, quando chegava a 11,5%, segundo Ferreira.
O setor está de olho agora no segundo semestre. Uma reação das exportações pode aquecer os preços.
Se as exportações não reagirem, os preços não se recuperam, porque sobrará carne no mercado interno. Os animais para exportação já estão sendo “preparados” – o ciclo da suinocultura é de pelo menos nove meses.





















