Negócios com energias renováveis e retomada da demanda por serviços de operação estão ajudando os resultados da suíça ABB no Brasil e em toda a América.
Expansão das renováveis puxa resultado da ABB

Os negócios com energias renováveis e a retomada da demanda por serviços de operação e manutenção e também de digitalização da indústria estão ajudando os resultados da suíça ABB no Brasil e em toda a América. A expectativa da companhia é que as privatizações sendo implementadas, tanto em geração quanto em distribuição, devem ajudar a manter esse ritmo de crescimento nos próximos trimestres.
“A boa notícia é que o grupo está voltando a ter trimestres de crescimento, criando um pipeline importante de novos pedidos”, disse, em entrevista ao Valor, Rafael Paniagua, presidente da ABB no Brasil. Segundo o executivo, a companhia está otimista sobre uma retomada da atividade industrial como um todo no país, o que deve ajudar no crescimento dos investimentos.
No primeiro trimestre, as encomendas da ABB tiveram crescimento global de 6%. Nas Américas, as encomendas ficaram estáveis. A queda em outros mercados (Canadá e México) foi compensada pela atividade no Brasil, onde a expansão foi de 22%, motivada, em grande parte, pelas encomendas nos negócios de renováveis.
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“Esperamos continuar esse crescimento forte ao longo de 2018”, disse Paniagua, lembrando dos leilões de energia previstos para este ano, como o A-6, que vai contratar novos projetos de geração com início de operação em seis anos, e também de transmissão, que deve “ser muito forte e trazer muitas possibilidades.”
O resultado dos primeiros três meses do ano refletiu, principalmente, o aumento dos negócios nas áreas de renováveis, principalmente fontes eólica e solar fotovoltaica. No caso da última, os projetos de geração distribuída ajudaram a aumentar as encomendas da companhia. “Grande parte dos equipamentos são produzidos em nossas fábricas no Brasil, como caixas de conexão, conectores. A ABB faz tudo, menos a placa solar”, disse Paniagua.
Além do forte crescimento com geração distribuída, a ABB conseguiu contratos como resultado dos leilões A-4 e A-6 realizados em dezembro. “Tivemos oportunidades tanto com solar quanto com eólica”, disse o presidente da ABB. Na parte eólica, a companhia se concentra nos equipamentos das subestações e das conexões dos parques com a rede.
As exportações também ajudaram as atividades brasileiras da ABB no primeiro trimestre do ano. Segundo Paniagua, as exportações representaram 20% do faturamento da ABB no Brasil no período. A companhia não informa os números de receita de cada país.
A ABB exportou equipamentos de diferentes áreas no período, com destaque para a área de energia e do setor de robótica, com foco em aplicações no segmento automotivo. “As exportações vão para a América do Sul, em geral. E, durante o primeiro trimestre, tivemos também sucesso em exportações para a América do Norte”, disse o presidente da companhia no Brasil.
A área de serviços foi o terceiro setor que mais cresceu no Brasil no período. Segundo Paniagua, a companhia notou uma forte retomada na indústria no trimestre, principalmente manutenções que tinham sido adiadas, e linhas de produção que estava operando abaixo da capacidade máxima.
O setor de soluções digitais ainda está começando no país, com volume de vendas não muito representativo, mas Paniagua prevê que a digitalização vá avançar também nos próximos anos.
As privatizações devem oferecer oportunidades para a companhia. “Temos muitas expectativas nas distribuidoras que serão privatizadas”, disse, se referindo às concessionárias da Eletrobras que devem ser licitadas até o fim de julho. Na área de geração, as concessões que serão devolvidas e posteriormente relicitadas também devem movimentar o mercado. “Há uma expectativa boa de renovação dos investidores, tanto em geração quanto em distribuição”, afirmou.





















