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Frankenstein na granja!

Implante no cérebro faz frango agir como codorna.

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Redação AI 16/06/2004 – 09h50 – Pesquisadores dos EUA descobriram que as aves já nascem sabendo reconhecer a voz da mãe. Para demonstrar sua hipótese, fizeram um experimento que deixaria o dr. Frankenstein morrendo de inveja: transferiram a região do cérebro responsável por esse reconhecimento de embriões de codorna para embriões de galinha. O resultado foi que os pintinhos, ao nascer, passaram a confundir o som de uma mãe-codorna com o de uma galinha.

O estudo foi publicado na revista da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a PNAS. Seu principal autor, Evan Balaban, é um biólogo da Universidade da Cidade de Nova York que não tem nada de cientista louco.

Mas que tem no currículo experimentos pouco usuais. Em 1997, por exemplo, implantou em embriões de galinha células do cérebro de codornas, fazendo os pintos piarem como jovens codornas.

“Este estudo é uma continuação daquele trabalho de 97”, disse Balaban à Folha de S. Paulo, por telefone. “Só que, daquela vez, foi transferida uma característica física. Agora, o que se transferiu foi um comportamento”, afirmou.

Trocando as mães

Os cientistas já suspeitavam que a preferência pela voz da mãe entre as aves fosse um comportamento inato, ou seja, pré-programado no cérebro e não adquirido pelo aprendizado. Mas não havia como saber que região do sistema nervoso sediava essa preferência.

Para localizá-la, Balaban e sua equipe produziram “quimeras”, ou seja, pintinhos que têm em seu cérebro um implante de células de outra espécie. As doadoras, no caso, foram codornas japonesas (Coturnix coturnix niponica). Os cientistas retiraram de embriões de codorna células que, sabia-se, originariam regiões diferentes do cérebro. Elas foram implantadas em 16 embriões de galinha da mesma idade.

Os pintinhos nos quais haviam sido implantadas células que originariam regiões do cérebro médio reconheciam uma gravação de chamado materno (um tipo de canto de aves que serve para reunir os filhotes) de codorna como sendo o da própria mãe. Para controlar o experimento, Balaban transferiu também células de um embrião de frango para outro. A quimera produzida só reconhecia o chamado materno da galinha na gravação.

Curiosamente, os pintos “frankenstein” respondiam melhor à voz da “mãe” codorna que os próprios filhotes de codorna. Segundo Balaban, isso sugere que diferenças no desenvolvimento dos embriões das duas espécies possam afetar o circuito cerebral quando o implante é feito, provocando um comportamento exagerado nas quimeras.

Outra novidade é que a região transferida não possui nenhuma ligação conhecida com o sistema auditivo. “Podemos ter descoberto uma função desconhecida do cérebro médio”, disse Balaban.

Determinismo

Embora muito já tenha sido discutido, especialmente entre geneticistas e psicólogos, sobre se alguns traços de comportamento possam ser inatos, o experimento de Balaban é o primeiro a demonstrar isso. “Achamos que o mesmo pode se aplicar a outras espécies, incluindo primatas”, afirmou o pesquisador.

Para Balaban, o objetivo de estudos como esse é descobrir qual é o verdadeiro significado de palavras como “inato” e “pré-programado”. “Não sabemos ainda que biologia existe por trás disso”, afirmou. “Esse experimento mostra que a distinção entre “inato” e “adquirido” não tem nenhum sentido”.

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