Os anticorpos maternos tem um papel fundamental na imunização contra a doença de Gumboro e os seus efeitos sobre o programa vacinal utilizado
Os anticorpos maternos e a proteção contra Doença de Gumboro – Por Eva Hunka
Os anticorpos maternos tem um papel fundamental na imunização contra a doença de Gumboro e os seus efeitos sobre o programa vacinal utilizado ou até mesmo sobre os desafios de campo podem variar de acordo com diversos fatores, já que o nível deles na prole, na maioria das vezes, é muito desigual.
Nos pintinhos, os anticorpos maternais diminuem de acordo com a vida média dos mesmos, que é o tempo necessário para a quantidade de anticorpos ser reduzida a metade. No caso de frangos de corte, este tempo é de aproximadamente 4 dias. Estes protegem os pintinhos contra infecções precoces do vírus de Gumboro, porém podem interferir e bloquear o estímulo da imunidade ativa das vacinas vivas.
No caso de lotes com boa uniformidade de anticorpos maternos, seria possível imunizar a prole de forma eficiente com uma única dose de vacina viva, porém esta não é a realidade na granja, já que nos incubatórios podemos ter lotes provenientes de matrizes de diferentes idades ou mesmo com diferentes programas vacinais, além das características de cada linhagem.
Leia também no Agrimídia:
- •Conflito no Oriente Médio coloca em alerta exportações de frango do Brasil
- •Preços dos ovos sobem até 15% e demanda aquecida sustenta altas no mercado
- •Vigilância sanitária intensifica monitoramento após foco de influenza aviária em aves silvestres no RS
- •UE–Mercosul: associação da indústria avícola europeia critica aplicação provisória do acordo comercial
Devido a isto, quando usamos um programa convencional é comum que a aves recebam duas ou mais doses de vacina viva para que o lote seja imunizado por completo, já que apenas uma parte do lote está preparada para receber a vacinação em cada uma das datas previstas.


No caso de desafios por cepas muito virulentas, ou mesmo uma alta carga viral no campo, os vírus conseguem ultrapassar os anticorpos maternos e para combatê-los recomendamos uma vacinação precoce, com início do programa ainda no incubatório. E isto, o grau de desafio, aparece como mais uma variável na hora da definição do programa vacinal.
Na tentativa de melhorar o manejo vacinal contra a Doença de Gumboro, temos algumas opções no mercado que são as vacinas vetorizadas e as vacinas de imunocomplexo. Apesar de ambas serem utilizadas no incubatório em dose única, o mecanismo de ação delas são distintos, e devem ser conhecidos antes da escolha do programa.
As vacinas vetorizadas, não sofrem interferência dos anticorpos maternos, já que não possuem o vírus vivo. A proteção da ave ocorre por volta do sétimo dia, então para um lote que enfrenta desafios precoces com cepas muito virulentas e em aves com baixos anticorpos maternos, esta talvez não seja a melhor opção para a proteção do lote.
Já as vacinas de imunocomplexo, dependem dos níveis de anticorpos para iniciar a sua replicação no animal, sendo assim em aves com baixos níveis de anticorpos, o início da replicação acontece mais cedo e a colonização precoce da bolsa com o vírus vacinal impede que o vírus de campo se hospede no órgão. Porém devemos lembrar que mesmo cepas vacinais causam algum tipo de lesão à bolsa, por isso a escolha da cepa a ser utilizada é de suma importância.
Sabendo que não existe uma vacina perfeita, e que o programa vacinal ideal é aquele que se adequa a realidade da sua granja, podemos lançar mão da rotação de programas, alternando vacinas vetorizadas e de imunocomplexo entre os ciclos. Esta prática promove que a cama seja povoada com uma cepa vacinal diminuindo a pressão de desafio na granja.
A proteção do pintinho começa na Matriz, e para a imunização contra doença de Gumboro no frango de corte, não podemos esquecer-nos de adequar os programas vacinais. Uma Matriz bem imunizada, principalmente contra as doenças imunossupressoras como Anemia Infecciosa, Reovirus e Gumboro, é o primeiro passo para um lote bem protegido!





















