Descubra os desafios financeiros da suinocultura paranaense e como custos elevados afetam os ganhos de produção recorde
Custos elevados anulam ganhos da produção recorde de suínos no Paraná

A suinocultura paranaense, um dos pilares do agronegócio nacional, vive um momento de aparente contradição. Enquanto os números de produção e exportação atingem patamares históricos — com um recorde de 12,4 milhões de suínos abatidos em 2024 —, a realidade dentro da porteira revela um cenário de crescente pressão financeira, com custos elevados que corroem a rentabilidade e ameaçam a sustentabilidade dos produtores integrados.
Um diagnóstico detalhado, realizado pelo Sistema FAEP em junho deste ano, expõe a gravidade da situação. O levantamento de custos de produção, que há mais de 15 anos serve como balizador para as negociações entre produtores e agroindústrias, revelou uma piora generalizada no desempenho financeiro das granjas em comparação com a análise de novembro de 2024. O estudo ouviu suinocultores de diferentes fases produtivas — crechário (UC), produção de desmamados (UPD) e terminação (UT) — nas regiões Oeste e dos Campos Gerais.
Os resultados mais alarmantes foram identificados na Unidade Produtora de Desmamados (UPD) da região Oeste. Nesta integração, o custo total para produzir um leitão atingiu R$ 79,51, um aumento de 64% em apenas sete meses. Contudo, a remuneração paga ao produtor é de apenas R$ 47,80, resultando em um prejuízo de R$ 54,86 por animal. A situação é crítica em todas as fases analisadas:
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- Crechário (UC): Na região Oeste, o prejuízo sobre o Custo Total é de R$ 7,97 por leitão. Nos Campos Gerais, a remuneração não cobre sequer os custos variáveis, com um prejuízo total de R$ 17,56 por cabeça.
- Terminação (UT): Na integração do Oeste, o prejuízo chega a R$ 40,89 por suíno terminado. Nos Campos Gerais, apesar de uma negociação mais favorável da Cadec, o saldo final ainda é negativo em R$ 36,28 por animal.
Segundo produtores como Angelo Nabozny, de Ponta Grossa, e Udo Herpich, do Oeste, a conta não fecha porque custos essenciais, como a depreciação de equipamentos e a mão de obra — cada vez mais cara e escassa —, não são integralmente computados pelas integradoras. “As pessoas se mantêm na atividade sucateando suas instalações. Não tem retorno para realizar investimento”, aponta Nabozny. Para Deborah de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, mesmo em cenários de forte exportação, a margem do integrado permanece negativa. O levantamento da FAEP se torna, assim, uma ferramenta crucial, não apenas para embasar as negociações nas Cadecs, mas também para que o próprio produtor tenha uma visão clara da saúde financeira de seu negócio.
Referência: Sistema FAEP





















