Entenda como a Indústria de carnes do Reino Unido se opõe aos aumentos das taxas da FSA e o possível processo judicial em curso.
Indústria de carnes do Reino Unido contesta aumentos das taxas da FSA e ameaça ação judicial

A Association of Independent Meat Suppliers (AIMS) classificou como “ilegais” os novos aumentos nas taxas de inspeção de carne cobradas pela Food Standards Agency (FSA). Segundo a entidade, os reajustes podem resultar em um processo judicial, já em fase de preparação.
A partir de abril, a taxa horária de um Veterinário Oficial (OV) terá alta de 20,8%, alcançando £79,60 por hora, o equivalente a cerca de £165.500 por ano. De acordo com a AIMS, o impacto para o setor será um acréscimo de £10 milhões nos custos totais no próximo exercício, alta de 24%, mesmo considerando uma inflação estimada em 3%.
Indústria questiona legalidade das tarifas
O diretor veterinário da AIMS, Peter Hewson, afirmou que o setor já iniciou um processo de revisão judicial, financiado coletivamente pela indústria da carne, que deverá ser analisado pelo Tribunal Superior em abril.
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Segundo Hewson, os valores cobrados pela FSA são desproporcionais. Ele destacou que o custo de um OV não qualificado se aproxima do salário anual do primeiro-ministro britânico, o que, na avaliação da associação, evidencia distorções no modelo atual de cobrança.
A AIMS acusa a FSA de justificar os aumentos com base na elevação dos custos de contratados e na redução das horas faturáveis, ao mesmo tempo em que diminuiu o volume total de descontos concedidos à indústria em mais de £3 milhões. A entidade afirma ainda que vem pressionando por medidas de eficiência, diante da menor necessidade e do valor limitado dos controles oficiais em matadouros, sem obter avanços nas negociações.
Posição da Agência de Normas Alimentares
Em resposta, Junior Johnson, diretor de operações da FSA, afirmou que o pedido de revisão judicial está sob análise do tribunal e será apreciado em abril. Enquanto isso, segundo ele, a prioridade da agência segue sendo garantir a segurança da carne britânica, proteger a saúde pública e manter elevados padrões de bem-estar animal.
A FSA argumenta que suas taxas refletem o custo real da prestação do serviço, que vem aumentando, especialmente em razão da escassez global de veterinários. Para atrair e reter profissionais qualificados, a agência afirma precisar oferecer remuneração mais elevada, além de lidar com os impactos gerais da inflação.
Descontos e foco em pequenos matadouros
A agência também destacou que mantém um sistema de descontos nas taxas, embora o financiamento total esteja em redução. Em 2025/26, a indústria recebeu £14,9 milhões em apoio, valor que cairá para £11,8 milhões em 2026/27, o equivalente a 18% do total estimado de £66 milhões em taxas.
Segundo a FSA, os descontos estão sendo direcionados principalmente às pequenas empresas, com a manutenção de abatimentos de até 90% para os menores matadouros. A agência negou ter se recusado a dialogar com o setor e afirmou que mantém discussões frequentes com entidades representativas em diferentes níveis.
Uma reunião com o setor está marcada para 26 de fevereiro, quando a FSA apresentará oficialmente as tarifas de carne para 2026/27. Após o encontro, os documentos serão publicados no site da agência, e uma consulta pública sobre a reformulação do sistema de descontos deverá ser lançada em breve.
Referência: Pig World





















