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Suinocultura dos EUA inicia 2026 com preços estáveis e desafios no comércio global

Saiba como a Suinocultura dos EUA inicia 2026 com preços da carne suína estáveis em meio a desafios no comércio internacional

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Suinocultura dos EUA inicia 2026 com preços estáveis e desafios no comércio global

Os preços da carne suína nos Estados Unidos iniciaram 2026 em trajetória mais estável, após picos registrados em meados de 2025, conforme análise do Rabobank. Em fevereiro, o valor médio do corte suinícola foi de US$ 95,91, com leve alta mensal de 2%, mas recuo de 2% na comparação anual.

O mercado segue sustentado pela demanda interna consistente no varejo e pelo desempenho das exportações. A proteína suína tem se beneficiado da oferta restrita e dos preços elevados da carne bovina, embora a competitividade da carne de frango — mais acessível — limite avanços mais expressivos nas cotações.

Produção apresenta leve retração e crescimento moderado à frente

A produção de carne suína norte-americana recuou 1,2% em 2025, totalizando 12,46 milhões de toneladas, segundo o USDA. O volume representa cerca de 11% da produção global, posicionando o país como o terceiro maior produtor mundial, atrás de China e União Europeia.

Para 2026, a expectativa é de leve avanço, com produção estimada em 12,47 milhões de toneladas. O crescimento tende a ser sustentado por ganhos de produtividade, já que fatores como pressão sanitária, custos elevados de construção e entraves regulatórios limitam a expansão do plantel.

O rebanho total foi estimado em 74,3 milhões de cabeças no relatório trimestral de março de 2026, com alta de 4% na comparação anual. No entanto, o número de matrizes recuou 1%, indicando cautela na expansão estrutural da atividade.

Consumo interno segue estável com pressão de custo ao consumidor

O consumo de carne suína manteve-se relativamente estável nos últimos anos. Em 2025, foram consumidas 9,83 milhões de toneladas, queda de 0,8% frente ao ano anterior. Para 2026, a projeção é de leve retração para 9,81 milhões de toneladas.

A proteína suína permanece como a terceira mais consumida no país, atrás das carnes de frango e bovina. A preferência por aves, impulsionada pelo menor custo, continua influenciando o comportamento do consumidor em um cenário de inflação e maior pressão sobre o orçamento das famílias.

Exportações recuam, mas México ganha relevância estratégica

As exportações norte-americanas de carne suína somaram 3,05 milhões de toneladas em 2025, queda de 2% na comparação anual. O recuo foi puxado principalmente pela redução das compras de mercados asiáticos.

As vendas para a China caíram 22%, refletindo menor demanda e tensões geopolíticas. Já o Japão registrou queda de 7%, impactado pela desvalorização do iene e elevados estoques internos. O Canadá também reduziu as importações em 14%.

Em contrapartida, o México se consolidou como principal vetor de crescimento, com alta de 8% nas compras. O desempenho está associado a desafios produtivos locais e a condições cambiais favoráveis, que aumentam a competitividade da carne suína norte-americana.

Para 2026, a expectativa é de crescimento moderado das exportações, entre 2% e 2,5%, sustentado pela desvalorização do dólar, aumento da produção e demanda internacional aquecida.

Importações recuam e cenário global segue desafiador

As importações dos Estados Unidos totalizaram 523 mil toneladas em 2025, com queda de 2%. O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas compras do Brasil, após impactos tarifários, e pela menor oferta europeia, afetada pela Peste Suína Africana.

Apesar disso, houve aumento nas importações provenientes do México, enquanto o Canadá manteve-se como principal fornecedor, com volumes relativamente estáveis.

Perspectivas indicam crescimento baseado em eficiência

No curto prazo, a suinocultura norte-americana deve manter expansão limitada, com crescimento sustentado por ganhos de eficiência produtiva. Projeções do USDA indicam aumento de 11,2% na produção entre 2027 e 2035.

O cenário global segue marcado por incertezas, incluindo tensões geopolíticas, riscos sanitários e a estratégia de autossuficiência da China, que tende a reduzir a demanda por importações.

Além disso, a possível revisão do acordo USMCA representa um fator de risco relevante para o comércio em 2026. Soma-se a isso a investigação antidumping conduzida pelo México sobre produtos suínos norte-americanos, com decisão prevista até o final do verão no hemisfério norte.

O ambiente exige atenção do setor, que busca equilibrar competitividade, acesso a mercados e eficiência produtiva em um cenário global cada vez mais dinâmico.

Referência: Pig World

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