Iniciativa da Embrapa fortalece monitoramento epidemiológico e apoio à tomada de decisão no setor
CISS amplia escopo e passa a incluir dados de Influenza A na vigilância sanitária da suinocultura

A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), desenvolvida pela Embrapa, passou a incorporar, dados relacionados ao vírus da Influenza A, ampliando o escopo da plataforma voltada à vigilância sanitária dos rebanhos brasileiros. O anúncio foi realizado durante o Simpósio Internacional de Suinocultura: Produção, Reprodução e Sanidade Suína (SINSUI), em Porto Alegre (RS), pela pesquisadora responsável pelo projeto, Janice Zanella.
“Esse é mais um passo na consolidação da plataforma CISS, que pretende ampliar seu escopo de atuação para auxiliar no monitoramento de enfermidades importantes para a suinocultura”, enfatizou a pesquisadora.
Os dados disponíveis sobre Influenza A abrangem o período de novembro de 2014 a maio de 2026. A expectativa é que, de forma gradual, também sejam incorporadas informações sobre os subtipos virais, fortalecendo a base de dados para acompanhamento e controle da doença no país.
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Disponibilizada em janeiro deste ano, a CISS foi criada com o objetivo de integrar e analisar dados sanitários de granjas em todo o Brasil. A ferramenta busca apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar a biosseguridade, contribuir para o controle de doenças e aumentar a sustentabilidade da suinocultura.
Inicialmente, a plataforma teve como foco o Mycoplasma hyopneumoniae (MHyo), agente causador da pneumonia enzoótica dos suínos e um dos principais patógenos do Complexo Respiratório Suíno (CDRS).
“Começamos com esse agente como piloto, para, aos poucos, agregarmos outros agentes igualmente importantes”, explicou Janice.
A inclusão do vírus da Influenza A reforça a abordagem de saúde única, já que se trata de um agente zoonótico também associado ao CDRS.
Integração de dados
A manutenção e atualização da CISS contam com a parceria de Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), que fornecem, de forma voluntária e anônima, dados provenientes de amostras coletadas em granjas de diferentes regiões do país.
Essa cooperação permite a consolidação estruturada de resultados laboratoriais, incluindo testes moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), e análises patológicas relacionadas a doenças endêmicas da suinocultura. O resultado é a formação de um banco de dados amplo e representativo, capaz de traçar o perfil epidemiológico dos rebanhos suínos brasileiros.
A integração contínua dessas informações possibilita o acompanhamento das mudanças nos padrões sanitários ao longo do tempo, considerando variáveis como faixa etária, localização geográfica, tipo de amostra, natureza dos problemas sanitários e sistemas de produção.
Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a plataforma oferece análises dinâmicas e atualizadas para diferentes agentes da cadeia produtiva.
Padronização
Outro ponto central da iniciativa é a padronização e interoperabilidade dos dados. Um dos principais desafios, segundo a pesquisadora, está na diversidade de testes, ensaios e sistemas de gestão utilizados pelos laboratórios parceiros.
Para viabilizar a integração das informações, são adotados padrões diagnósticos internacionalmente reconhecidos, como o Logical Observation Identifiers, Names and Codes (LOINC) e o SNOMED CT, que garantem consistência na representação dos dados clínicos.
Esse processo de codificação é conduzido pelo professor Rafael Nicolino, da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), parceira no desenvolvimento da CISS.
Os dados consolidados pela plataforma subsidiam a elaboração de relatórios técnicos agregados e anonimizados, contribuindo para a formulação de políticas públicas e ações estratégicas voltadas à defesa sanitária, à indústria e aos produtores.
Fonte: Embrapa























