Ordem executiva de Trump e nova regra do USDA criam mercado premium para milho, soja, sorgo e canola com base em pegada de carbono
EUA liberam bilhões para biocombustíveis e premiam agricultura regenerativa

O mercado global de biocombustíveis e commodities agrícolas ganhou um novo e poderoso direcionamento. O presidente Donald J. Trump assinou uma Ordem Executiva para promover a agricultura regenerativa nos Estados Unidos, ato que foi acompanhado pelo anúncio imediato da regra final sobre matéria-prima regenerativa pela secretária do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Brooke L. Rollins.
A medida histórica abre caminho para que os agricultores norte-americanos capturem valor financeiro direto e voluntário por meio dos mercados de biocombustíveis de alta rentabilidade.
A iniciativa consolida a agenda “América Primeiro” voltada ao agro, somando-se a marcos como a distribuição nacional do combustível E15, o recorde nas Obrigações de Volume Renovável (RVO) e a extensão do Crédito de Produção de Combustível Limpo (45Z) pela Lei de Cortes de Impostos para Famílias Trabalhadoras (Working Families Tax Cuts Act). A nova regra do USDA garante o elo que faltava: um caminho prático e regulamentado para o produtor lucrar na ponta final da transição energética.
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“A nova regra do USDA coloca os agricultores, e não os burocratas de Washington, no comando. Em vez de imposições, estamos criando oportunidades de mercado. Os agricultores que optarem por implementar práticas regenerativas terão novas oportunidades de obter preços premium, reduzir seus custos de produção, melhorar a saúde do solo e fortalecer a rentabilidade de suas operações a longo prazo”, destacou a secretária Brooke L. Rollins.
Como funciona a nova Regra de Matérias-Primas Regenerativas
O mecanismo conecta diretamente o manejo sustentável no campo aos prêmios pagos pelas usinas de biocombustíveis nas culturas de milho, soja, sorgo e canola de primavera.
A estrutura regulatória foi dividida em cinco pilares fundamentais para o setor:
Abrangência: Definição clara das culturas elegíveis e dos elos participantes na cadeia de suprimentos.
Intensidade de Carbono (CI): Quantificação específica da pegada de carbono diretamente ao nível do campo para cada cultura.
Rastreabilidade: Padrões rigorosos de cadeia de custódia por balanço de massa e manutenção de registros.
Compliance: Requisitos claros de auditoria e verificação independente.
Padronização: Normas técnicas do que se qualifica formalmente como prática de agricultura regenerativa para o programa.
Nova calculadora de pegada de carbono
Para dar suporte operacional aos produtores, o governo lançou uma versão atualizada da Calculadora de Intensidade de Carbono da Matéria-Prima do USDA (USDA FD-CIC).
A ferramenta quantifica o impacto financeiro e ambiental de práticas como:
Uso de culturas de cobertura (plantas de cobertura);
Manejo aprimorado e preciso de nutrientes;
Plantio direto e cultivo mínimo do solo.
Os relatórios gerados pela calculadora servirão como “passaporte verde” para que o agricultor negocie seus grãos com ágio (preço premium) junto às indústrias de etanol e biodiesel.
Impacto no mercado global de grãos e biocombustíveis
O impacto potencial da medida no fluxo de commodities é massivo. Atualmente, os agricultores americanos destinam cerca de 6 bilhões de bushels de milho por ano para a produção de etanol — e 68% desses produtores já adotam ao menos uma prática regenerativa. No complexo soja, são 1,8 bilhão de bushels direcionados aos biocombustíveis, com 70% dos cultivadores já enquadrados em manejos conservacionistas.
A expectativa do USDA é que a padronização oficial acelere a adesão em massa, inflando a oferta de grãos de baixa emissão e elevando a competitividade internacional do agro dos EUA.
US$ 700 milhões em caixa para o produtor
As novas regras complementam o Programa Piloto Regenerativo do USDA, que já conta com um orçamento de US$ 700 milhões para financiar a transição tecnológica no campo. Até o momento, o programa já converteu:
Mais de 67.000 planos de conservação em propriedades rurais;
Mais de 49 milhões de acres mapeados e protegidos;
Mais de 1.500 contratos ativos, movimentando mais de US$ 200 milhões em repasses diretos.
Fonte: USDA























