Digestão anaeróbia permite reduzir emissões de gases de efeito estufa, produzir biogás e aproveitar nutrientes, ampliando as possibilidades de geração de valor dentro da cadeia
Dejetos da suinocultura podem se transformar em energia e novos ativos para o setor

O crescimento da suinocultura brasileira amplia também o desafio de conciliar produtividade, gestão ambiental e redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, o manejo e o tratamento dos dejetos deixam de ser apenas uma etapa da produção e passam a ocupar espaço estratégico na construção de sistemas mais eficientes e resilientes.
Segundo o artigo assinado por Airton Kunz, Eliane C. S. da Costa, Deisi Tapparo e Martha Higarashi, da Embrapa Suínos e Aves e do Instituto 17, a suinocultura é responsável por parcela relevante das emissões de metano decorrentes do manejo de dejetos no Brasil. O gás é gerado principalmente durante a decomposição dos resíduos em condições anaeróbias, especialmente em sistemas de armazenamento ou tratamento sem controle adequado.
Entre as alternativas apresentadas pelos pesquisadores está a digestão anaeróbia, tecnologia que permite capturar o metano e utilizá-lo energeticamente. O biogás produzido pode ser empregado na geração de eletricidade e calor, na substituição de combustíveis como GLP e diesel e na produção de biometano, criando possibilidades de redução de custos e geração de receita nas propriedades.
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O processo também permite aproveitar o digestato, efluente resultante da digestão anaeróbia, como fonte de nutrientes para a agricultura. Dependendo do sistema adotado, o tratamento pode ainda resultar em produtos como água de reúso e fosfato de cálcio.
Os autores destacam ainda que a avaliação das alternativas deve considerar toda a cadeia produtiva. A Análise de Ciclo de Vida (ACV) pode ser utilizada para comparar tecnologias, identificar pontos críticos e orientar estratégias de redução das emissões. O aproveitamento dos resíduos também pode abrir espaço para a geração de créditos de carbono e novas oportunidades econômicas.
Para os pesquisadores, o desafio está em transformar esse potencial em projetos estruturados e competitivos, capazes de integrar redução de emissões, geração de energia e aproveitamento de nutrientes. A digestão anaeróbia, nesse contexto, pode converter um passivo da produção em fonte de energia, receita e eficiência ambiental.
Leia a análise completa na Suinocultura Industrial.
Boa leitura.
























