Boletim Logístico da Conab aponta alta anual nos fretes de grãos, impulsionada pelas exportações recordes de soja e forte demanda por milho e sorgo no mercado interno
Agronegócio
Fretes agrícolas recuam no mês, mas mantêm tendência de alta anual no Brasil
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Os valores do frete agrícola praticados nas principais rotas de escoamento de grãos do Brasil apresentaram comportamentos regionais distintos em agosto de 2026. Embora algumas praças tenham registrado retração mensal, o patamar médio das tarifas permanece superior ao observado no mesmo período do ano anterior. As informações fazem parte da mais recente edição do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A movimentação rodoviária foi sustentada pelo ritmo aquecido das exportações de soja e pelo consumo interno de milho e sorgo direcionado às indústrias de ração animal e produção de etanol de milho.
Panorama do Comércio Exterior e Insumos (Jan-Ago 2026)
- Recorde na Soja: Os embarques da oleaginosa somaram 92,7 milhões de toneladas nos primeiros oito meses do ano, crescimento de 7% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.
- Ajuste no Milho: As exportações do cereal atingiram 14,5 milhões de toneladas, recuo de 7,9% no acumulado anual, reflexo da forte valorização do grão no mercado doméstico e internacional.
- Importação de Fertilizantes: O volume acumulado de adubos desembarcados no país chegou a 25,38 milhões de toneladas, valor 13,7% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Dinâmica dos Fretes nas Principais Praças Produtoras
- Goiás (GO): Registrou valorização de até 22,9% em rotas de média e curta distância. O impulso veio do forte fluxo de sorgo destinado às indústrias de ração no estado vizinho de Minas Gerais.
- Minas Gerais (MG): Apresentou a maior alta pontual do país, com elevação de até 36,2% no custo do transporte. O aquecimento logístico foi puxado pelo avanço da colheita do café, com fluxos concentrados no sul mineiro.
- Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS): Mantiveram preços firmes e próximos da estabilidade. A sustentação do mercado interno de milho para nutrição animal e usinas de biocombustíveis evitou quedas expressivas nas tarifas.
- Bahia (BA), Piauí (PI) e Maranhão (MA): A Bahia teve altas de até 4,8% nos fretes, com expectativa de pressão adicional pela colheita do algodão. O Piauí oscilou entre -9,1% e +5,6%, enquanto o Maranhão registrou descompressão nos custos após o pico do escoamento da soja.
- São Paulo (SP) e Paraná (PR): Em São Paulo, os fretes oscilaram entre -6,7% e +5,7%, refletindo o equilíbrio local entre oferta de caminhões e carga. No Paraná, houve leve alta no transporte de feijão e tendência de queda para as demais culturas.
Participação dos Portos no Escoamento de Grãos
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Os portos do Arco Norte e o Porto de Santos (SP) continuam consolidando a liderança no escoamento da produção agrícola nacional:
| Produto | Arco Norte (%) | Porto de Santos (%) |
| Milho em Grão | 48,98% | 27,08% |
| Soja em Grão | 38,85% | 34,42% |
| Farelo de Soja | — | 44,02% |
Da Redação, com informações da Conab
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