O início da safra de soja 2026/27 apresenta cenários opostos no país: a seca e as chuvas irregulares atrasam o plantio no Centro-Norte, enquanto o excesso de umidade e temporais no Sul ameaçam atrapalhar o trabalho das máquinas
Irregularidade das chuvas dita o ritmo do início do plantio da soja no Brasil

O início da semeadura da safra de soja 2026/27 avança em ritmos contrastantes pelo país, impulsionado pela distribuição heterogênea das precipitações e pelos níveis variados de umidade no solo. Se por um lado a presença de chuva impulsiona as operações nas regiões do Centro-Sul, por outro, os agricultores do Centro-Norte vivem um momento de cautela devido à escassez hídrica necessária para a consolidação das lavouras.
Conforme analisa a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere Consultoria, o contraste é evidente: a umidade beneficia os campos do Centro-Sul, ao passo que a oscilação nas chuvas no Centro-Norte exige monitoramento constante para assegurar a germinação da cultura.
No Paraná, as precipitações das últimas semanas melhoraram a reserva hídrica do solo, acelerando os trabalhos de campo. Contudo, a constância e o volume alto das chuvas acendem o alerta para a diminuição do tempo hábil das máquinas operarem no terreno.
Leia também no Agrimídia:
- •China seguirá comprando soja do Brasil, mas em ritmo menor, aponta Insper
- •EUA preveem pagamento recorde de US$ 13,8 bilhões a agricultores
- •Ciclone extratropical deve trazer temporais ao Sul antes do feriado de Nossa Senhora Aparecida
- •Anec projeta 6,18 milhões de toneladas de soja embarcadas em outubro, volume 13,1% menor que o de setembro
Já em Mato Grosso, líder nacional na produção de soja, a semeadura em áreas de sequeiro caminha a passos lentos. A falta de regularidade nas chuvas e os baixos índices de umidade em pontos chave do estado impõem limites ao progresso do cultivo. Especialistas da consultoria apontam que, embora ocorram avanços pontuais, o ritmo dos próximos dias dependerá de uma distribuição de chuvas mais uniforme para garantir o desenvolvimento saudável das sementes.
Perspectivas meteorológicas
Para a primeira metade de outubro, o quadro em Mato Grosso deve se manter incerto, com previsões de precipitações pontuais que não devem ultrapassar a marca de 40 milímetros, concentrando-se prioritariamente nas frações oeste e sul do estado.
Em contrapartida, o Paraná se prepara para fortes temporais e volumes acentuados de água, que podem ultrapassar os 100 milímetros.
Esse panorama divergente reforça os desafios do ciclo 2026/27: no Sul, o risco reside nos atrasos operacionais provocados pelo encharcamento da terra, enquanto no Centro-Norte, a urgência é por volumes hídricos mais consistentes que permitam a evolução do plantio.
Fonte: CNN.























