Em evento da Ocepar, biólogo defende mapear a população da espécie e criar “áreas livres de javali”, como foi feito com a febre aftosa
Avanço do javali preocupa suinocultores do Paraná

O avanço do javali no Paraná e em outros estados e o risco que ele representa para a pecuária, especialmente para os plantéis de suínos, foram tema do painel de Suinocultura da Semana da Produção e Sanidade Animal das Cooperativas Paranaenses. O evento é promovido pelo Sistema Ocepar e vai de terça (6) a quinta-feira (8).
Para o biólogo Júlio Daniel do Vale, doutor em biologia e ecologia, um dos maiores obstáculos ao controle é a falta de um levantamento que mostre quantos animais existem e onde estão. Segundo ele, a estratégia muda conforme a densidade da população.
O pesquisador propõe mapear o território e proteger as áreas onde ainda não há javalis, criando “áreas livres” nos moldes do que foi feito com a febre aftosa. Nas regiões com poucos animais, a orientação é eliminá-los. Onde a população já é grande, o foco passa a ser o controle dos danos. Vale cita pesquisas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que indicam que é preciso abater pelo menos 70% da população para que o controle funcione. Abaixo disso, segundo ele, o esforço vira apenas custo, porque a espécie se reproduz muito rápido.
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Espécie invasora
O javali foi trazido ao Brasil na década de 1960 para criação comercial e caça. Animais que escaparam ou foram soltos cruzaram com porcos domésticos e deram origem ao javaporco, um híbrido resistente e muito prolífico, sem predadores naturais no país. Por ser considerado espécie exótica invasora, o abate é autorizado pelo Ibama.
Segundo o biólogo, javalis e javaporcos transmitem doenças a animais e humanos, destroem lavouras e áreas de reflorestamento e têm preferência por milho e cana-de-açúcar. Ele alerta que o problema não recebe a atenção necessária e lembra o caso da Catalunha, na Espanha, onde a peste suína africana em javalis causou grandes prejuízos à suinocultura.
De acordo com o Mapa, a maior incidência no Brasil está no Paraná e em Santa Catarina. No Paraná, estima-se que mais de 200 municípios já estejam ameaçados. Em Santa Catarina, a presença é maior na Serra, no Meio-Oeste e no Oeste. São Paulo e Minas Gerais também registram ocorrência expressiva.
Da Redação, com informações do Sistema Ocepar
























