Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 65,43 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 148,75 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 154,29 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 9,97 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,63 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,90 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,82 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,77 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,38 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↓ R$ 143,61 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 152,24 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 159,48 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 132,32 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 145,00 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,39 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,41 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.570,32 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.465,74 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 157,24 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 136,70 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 140,93 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 150,91 / cx
Destaque Todas Páginas
Fala Agro

Quem vai ganhar com a redução da jornada? – por Vanir Zanata

Presidente da Osesc fala sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 ou 36 horas, sem diminuição proporcional dos salários, que imporá custos adicionais expressivos às cooperativas catarinenses e poderá comprometer sua capacidade produtiva

Compartilhar essa notícia
Quem vai ganhar com a redução da jornada? – por Vanir Zanata

A proposta de extinção da escala de trabalho 6×1, em discussão no Congresso Nacional, suscita preocupações que transcendem as relações trabalhistas. Seus efeitos poderão alcançar toda a economia brasileira, comprometer a competitividade das empresas, pressionar os preços de produtos e serviços e elevar o custo de vida da população. A legítima aspiração por melhores condições de trabalho não pode prescindir de uma avaliação criteriosa de suas consequências econômicas e sociais.

Levantamento realizado pela Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) dimensiona a gravidade desse cenário. A redução da jornada semanal de 44 para 40 ou 36 horas, sem diminuição proporcional dos salários, imporá custos adicionais expressivos às cooperativas catarinenses e poderá comprometer sua capacidade produtiva.

Atualmente, o cooperativismo estadual emprega diretamente 102.402 trabalhadores. Para preservar as operações com jornada de 40 horas semanais, seriam necessárias 12.394 contratações adicionais, ao custo estimado de R$ 74,3 milhões mensais, ou R$ 892,4 milhões anuais. Na hipótese de redução para 36 horas, a necessidade alcançaria 26.664 novos empregados, com despesas de aproximadamente R$ 160 milhões mensais, equivalentes a R$ 1,92 bilhão por ano.

A alternativa tampouco oferece perspectivas tranquilizadoras. Sem a recomposição dos quadros funcionais, o levantamento da OCESC projeta perdas anuais de R$ 10,8 bilhões no faturamento das cooperativas. Somente o ramo agropecuário responderia por R$ 9,2 bilhões desse montante, seguido pelos segmentos de crédito e saúde.

Existe, entretanto, um obstáculo adicional: a escassez de trabalhadores. Santa Catarina registrou desemprego de apenas 2,3% em 2025, condição próxima do pleno emprego. A contratação de milhares de profissionais, especialmente para atividades industriais, agropecuárias e serviços essenciais, constitui um desafio que nenhuma disposição legislativa será capaz de resolver por decreto.

O problema ultrapassa as fronteiras do cooperativismo. Indústrias, estabelecimentos comerciais, hospitais, transportadoras, propriedades rurais e prestadores de serviços enfrentarão dificuldades semelhantes. Atividades que exigem funcionamento contínuo serão particularmente afetadas, com riscos de redução da oferta, interrupções operacionais e deterioração dos resultados.

Há uma consequência especialmente preocupante: o encarecimento generalizado da economia. A manutenção dos salários com menor número de horas trabalhadas elevará o custo da hora de trabalho. Sem ganhos equivalentes de produtividade, parte dessa despesa poderá ser transferida aos preços finais. Alimentos, transportes, serviços de saúde e inúmeros bens de consumo tenderão a ficar mais caros. A população, inclusive os próprios trabalhadores beneficiados pela mudança, poderá pagar essa conta.

Outra ameaça reside no estímulo à informalidade. O aumento dos encargos associados ao emprego formal poderá desestimular contratações, sobretudo nas pequenas empresas, com prejuízos à proteção social e à arrecadação previdenciária.

O Brasil já convive com produtividade insuficiente, infraestrutura deficiente, elevada carga tributária, excesso de regulamentação e insegurança jurídica. Acrescentar novas obrigações sem considerar essas limitações significa agravar o chamado custo Brasil e enfraquecer nossa posição nos mercados internacionais.

Não se trata de negar a necessidade de aperfeiçoar as relações de trabalho ou de desconsiderar os benefícios do descanso e da qualidade de vida. Trata-se de reconhecer que direitos sociais duradouros dependem de uma economia capaz de sustentá-los. Mudanças dessa magnitude exigem estudos setoriais, diálogo institucional, avaliação dos impactos e mecanismos de transição compatíveis com a realidade produtiva.

A negociação coletiva, conduzida pelas representações legítimas de empregados e empregadores, oferece alternativas mais flexíveis e adequadas às particularidades de cada atividade, preservados os direitos fundamentais.

O Congresso Nacional tem a responsabilidade de examinar essa matéria com independência, prudência e rigor técnico, sem subordinar decisões estruturais às conveniências eleitorais. O progresso social não se constrói à margem da realidade econômica. Uma legislação concebida para beneficiar o trabalhador não pode, paradoxalmente, ameaçar seu emprego, encarecer sua subsistência e comprometer a prosperidade nacional.

Nota editorial: Os R$ 10,8 bilhões representam uma projeção de perda anual de faturamento caso não ocorram novas contratações, e não um custo adicional direto. Os valores de contratação correspondem a cenários alternativos de 40 e 36 horas semanais. O artigo preserva essa distinção para conferir precisão ao posicionamento institucional. A taxa de desemprego de 2,3% foi confirmada pelo IBGE.

 

Vanir Zanatta é presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)

 

Assuntos Relacionados
boletimSIFala Agro
Mais lidas

Relacionados

SI – edição 331
AI – 1345
SI- edição 330
AI – Edição 1344
SI – Edição 329