Valdomiro Ferreira Júnior defendeu diálogo entre governo e o setor, com aposta no avanço do consumo interno e orientação ao produtor para focar em custo, referências de preço e compras coletivas
Presidente da APCS pede técnico no Ministério da Agricultura e projeta ano de oportunidades para a carne suína

Na AveSui 2026, Valdomiro Ferreira Júnior defende diálogo entre governo e setor, aposta no avanço do consumo interno e orienta o produtor a focar em custo, referências de preço e compras coletivas
O agronegócio e o governo precisam caminhar juntos, independentemente de questões partidárias, para reduzir a insegurança que preocupa o setor produtivo. A avaliação é de Valdomiro Ferreira Júnior, presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), em entrevista à Agrimídia durante a AveSui 2026, em Cascavel (PR).
“O agronegócio é a maior economia do país. O governo precisa do agronegócio e nós precisamos do governo. Não há possibilidade de cada um caminhar para um lado”, afirma. “A situação agora é olhar para frente e ver o que é possível fazer para diminuir as tensões, porque o setor não pode conviver com essa insegurança.”
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Para ele, um passo importante seria ter no Ministério da Agricultura um representante técnico, com conhecimento de toda a cadeia, principalmente da proteína animal. Entre os temas que exigem decisões em conjunto entre governo e iniciativa privada, Valdomiro destaca a sanidade. “No meu entendimento, é a nossa maior preocupação. Estamos conquistando novos mercados, e a sanidade é uma das exigências para que a gente continue crescendo.”
Carne suína como alternativa ao consumidor
O dirigente se define como otimista, embora reconheça que 2027 trará desafios para a suinocultura, como para toda a economia. Ele lembra que a produção do próximo ano, até setembro, já está praticamente definida, e que a prioridade deve ser o custo. “Precisamos diminuir o custo o que for possível, para ter um preço final competitivo com as outras proteínas.”
Nesse cenário, Valdomiro vê espaço para a carne suína ganhar o consumidor. “Nos patamares a que está indo, a carne bovina vai se tornar muito cara para o consumidor brasileiro, que no ano que vem terá dificuldade de renda. A carne suína passa a ser uma boa alternativa”, avalia. Por isso, ele espera crescimento do consumo per capita em 2027.
Exportação: difícil, mas não impossível
No mercado externo, o presidente da APCS elogia o trabalho da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em conjunto com o Ministério da Agricultura e destaca a atuação do secretário Luis Rua na abertura de mercados. “Foi um estrategista. Em dois anos, visitou mais de 50 países.”
Para Valdomiro, o setor precisa aprender a vender e a entender os novos mercados, já que a carne suína sempre foi muito voltada ao consumo interno. Ele projeta que, se a produção chegar a 6 milhões de toneladas no próximo ano, será preciso exportar 1,8 milhão de toneladas para alcançar 30% do total. “É difícil, mas não é impossível.”
Três recados ao produtor
O presidente da APCS resume sua orientação aos suinocultores em três pontos. O primeiro é a atenção ao custo de produção. O segundo é buscar referências de preço que reflitam a realidade e se afastar de um mercado muito especulativo. “O produtor tem que saber o que está acontecendo no mercado para fazer a melhor operação. Vender, nós estamos vendendo, mas é preciso saber para quem e em que condições.”
O terceiro é a compra coletiva, modelo que São Paulo já adota com o Consórcio Suíno Paulista, uma central de compras para produtores independentes. Hoje, mais de 54 fornecedores participam do consórcio, que funciona por pregão eletrônico. Valdomiro ressalta que o objetivo não é esmagar o fornecedor. “Precisamos buscar um equilíbrio em que o fornecedor sobreviva e o criador também. As margens diminuíram, mas o fornecedor sabe para quem está vendendo e que vai receber.”
A associação também mantém a bolsa de suínos, em que os produtores se reúnem toda quinta-feira para definir um preço de referência. “Há um tempo, o criador vendia conforme o seu emocional, porque não tinha uma referência de mercado. O que a associação está propagando é que a gente tenha essa referência.”
Da Redação.
























