Produção cresceu quase 150% desde 2000, puxada pela eficiência; após 2021, a queda dos preços, os insumos caros e os juros altos levaram a inadimplência a recorde
Produtividade sustentou o agro por 25 anos, mas crédito caro deixou o setor exposto após a pandemia, aponta Cepea

A produção agropecuária brasileira cresceu quase 150% entre 2000 e 2025, ou 3,7% ao ano, contra 2,3% ao ano do PIB do país. Segundo um novo estudo do Cepea, da Esalq/USP, o desempenho veio da produtividade, e não dos preços. A produtividade total dos fatores cresceu 92% entre 2000 e 2024 e explica 82% da expansão da produção, enquanto a relação entre os preços dos insumos e dos produtos piorou 35% no período.
O trabalho, assinado pelo coordenador científico do Cepea, Geraldo Barros, e pelo pesquisador Lucilio Alves, mostra que o cenário mudou com a pandemia. De 2019 a 2021, os preços reais da agropecuária subiram 72% e a renda do setor, 84%. Depois, os preços caíram 24% até 2025, e a renda recuou 14% entre 2021 e 2024. Os insumos, que subiram 60% de 2019 a 2022, continuaram caros. Ao mesmo tempo, a taxa média do crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,2% ao ano em 2020 para 12,2% em 2025, acompanhando a Selic.
Quatro conclusões do estudo
Leia também no Agrimídia:
- •ABCS e ABEGS apresentam pautas sanitárias da suinocultura ao novo diretor do departamento de Saúde Animal
- •Paraná deve colher 22,75 milhões de toneladas de soja em 2026/27, estima Deral
- •Colômbia abre mercado para petiscos para pets feitos com subprodutos suínos do Brasil
- •“O agro não está em crise”, diz vice-presidente do Banco do Brasil
- Dívida voltou ao patamar histórico: o passivo do setor no sistema financeiro, que tinha caído para 61% da renda em 2020, chegou a 106% em 2024 e a 94% em 2025, dentro da faixa de 86% a 109% registrada entre 2013 e 2019.
- Crédito cresceu e mudou de fonte: o crédito rural concedido passou de R$ 251 bilhões em 2019 para R$ 446 bilhões em 2023, alta de 78% a preços de 2025. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) responderam por R$ 125 bilhões em 2025, quase sete vezes o valor de 2016. Entre as fontes privadas, a parcela com juros livres saltou de 7% em 2013 para 52% em 2025.
- Investimento depende menos do crédito rural: o investimento agropecuário subiu de R$ 152 bilhões em 2019 para R$ 260 bilhões em 2025, mas o crédito rural financiou só 36% desse total. O restante veio de recursos próprios, CPRs, fornecedores e leasing, e a parte que é dívida não aparece nas estatísticas do Banco Central.
- Inadimplência varia conforme o perfil: entre as empresas do setor, ficou em 3,5% em agosto de 2026, abaixo da média do sistema financeiro (5,2%). Já entre as pessoas físicas, que somam cerca de 80% da carteira, saltou de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7%, recorde da série do Banco Central.
Para os autores, decisões tomadas antes da pandemia perderam rentabilidade no cenário seguinte, e o crédito, mais caro, não ajudou a compensar. “O cenário de problemas de liquidez e de aumento da inadimplência na agropecuária estava desenhado”, afirmam.
O estudo complementa o trabalho anterior do Cepea sobre o endividamento rural, que apontou uma carteira problemática de R$ 205 bilhões, ou 23,8% do crédito rural.
Fonte: Cepea
























