Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 68,67 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 154,91 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 161,56 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 8,50 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 5,78 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,14 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,37 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,25 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,27 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 132,51 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 135,34 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 144,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 150,55 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 124,34 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 137,51 / cx
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,30 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,31 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.544,33 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.450,60 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 154,27 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 128,20 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 143,70 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 157,15 / cx
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Meio Ambiente

Aquecimento global e agricultura

Agropecuária não é vilã do aquecimento global, dizem produtores. Setor aponta caminhos para agricultura sustentável.

Representantes de entidades ligadas à agropecuária rejeitaram a ideia de que o setor seja um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global e apontaram caminhos para uma agricultura sustentável, que contribua para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo os participantes de seminário sobre o assunto na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural realizado ontem (27/08) o Brasil tem condições de reverter o quadro, desde que haja envolvimento de governos, de institutos de pesquisa e de grandes e pequenos agricultores.

Prejuízos – Segundo o pesquisador Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em vez de “vilã”, a agricultura pode tornar-se a vítima do aquecimento global, com grandes prejuízos se nada for feito para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. “O aumento de temperatura é desastroso para a planta, pois afeta seu ciclo e reduz a produtividade”, disse Assad.

Como consequência, ele disse que o País pode perder 40% da produção de soja até 2070 caso o atual contexto não mude. O prejuízo seria de R$ 7,6 bilhões.

A adaptação das plantas ao aquecimento global passaria por melhoramento genético. O tempo estimado para esse trabalho, segundo o pesquisador da Embrapa, é de dez anos.

Sistemas de produção – Outra estratégia seria atuar na absorção de carbono já durante a agricultura, a partir do manejo de solo. Um manejo comum é o do plantio direto, no qual a palha e os restos vegetais de outras culturas são mantidos na superfície do solo, garantindo cobertura e proteção contra processos danosos, como a erosão.

No caso da pecuária, a solução passa pela adoção de sistema agrosilvopastoril, ou seja, de integração entre lavoura e pecuária. Os benefícios seriam a redução da abertura de novas áreas de pasto e uma menor emissão de gases de efeito estufa, em razão de uma retenção de carbono pela vegetação.

O problema para adoção desses mecanismos no País, na avaliação de Assad, é que não se costuma financiar sistemas de produção. “A gente financia lavouras e pastos. Sistema de produção é mais complicado, mas, no longo prazo, é altamente rentável. Temos que parar de pensar como indústria, mas como sistema”, afirmou.

A vice-presidente e secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas, reforçou a tese de que os sistemas de produção estão relegados a segundo plano no Brasil. Ela afirmou que, muitas vezes, para conseguir financiamento oficial, o produtor tem de estar vinculado à pecuária.

“O processo ainda é trabalhado de forma convencional. Há uma dificuldade imensa para que o apoio aconteça na prática. Muitas políticas fazem o contrário do que a gente tenta discutir”, reclamou.

Política rural – O assessor técnico da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Justus de Brito, afirmou que faltam políticas estruturantes do governo para o setor. Ele disse que a atividade rural deve ser valorizada pelas contribuições feitas à preservação ambiental.

“Parece que o Brasil se envergonha do setor agropecuário quando vai negociar o assunto com outros países. A agricultura é considerada a vilã. O problema é que temos que diminuir a distância dos nossos vários Brasis. Há produtores sem nenhuma condição de trabalho, emitindo [gases] por falta de informação. Temos que transformar todo o País em um sistema de produção eficiente e ecológico, mas defendendo os interesses nacionais”, afirmou Brito.

O assessor da CNA disse que não é a agropecuária brasileira a responsável por 30% do aquecimento global, mas a agropecuária do mundo inteiro.

O seminário da Comissão de Agricultura foi sugerido pelo deputado Beto Faro (PT-PA).

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