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Os raios e o meio ambiente – por Ricardo E. Rose

Tendência é que quanto mais alta a temperatura, maior a incidência de descargas elétricas

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Os raios e o meio ambiente – por Ricardo E. Rose

O aumento médio da temperatura da Terra nos últimos anos está trazendo verões mais quentes, com trovoadas mais fortes e maior número de relâmpagos. Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), morrem no Brasil cerca de 120 pessoas anualmente devido às descargas de raios. A tendência é que quanto mais alta a temperatura, maior a incidência destas descargas elétricas. Devido à sua localização geográfica e extensão territorial, o Brasil é o país no mundo com maior incidência destes fenômenos atmosféricos.

Os raios são gigantescas faíscas de eletricidade estática, geradas durante uma tempestade. A eletricidade forma-se dentro de nuvens do tipo cumulonimbus, que alcançam 18 quilômetros de altitude, onde as temperaturas estão em torno dos 60ºC negativos. As faíscas elétricas ocorrem dentro de uma mesma nuvem, entre duas nuvens e entre uma nuvem e o solo. Como e porque se formam estas imensas descargas, ainda não está completamente explicado pela ciência. O ar em torno de um relâmpago chega a 30.000 graus Celsius (a temperatura da superfície do Sol é de 6.000ºC) e estas partículas aquecidas da atmosfera são chamadas de plasma, emitindo a luz característica da faísca. A tensão contida num raio chega a 100 milhões de volts, com uma intensidade de 30 mil ampères (cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro de banho).

Segundo a revista Super Interessante, cerca de 3,15 bilhões de raios caem sobre a Terra por ano. As regiões de sua maior incidência são a África Central (Congo e Ruanda) e a região do Lago Macaraibo, na Venezuela. O Brasil recebe descargas anuais de cerca de 100 milhões de raios, em sua maior parte na região Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Os raios sempre tiveram um papel importante na história da vida na Terra. Segundo os cientistas, nos primórdios do planeta há 3,8 bilhões de anos, as descargas elétricas tiveram um importante papel na formação de aminoácidos – moléculas básicas para a vida – catalisando reações químicas entre substâncias como amônia, metano e hidrogênio. Ao longo da evolução da vida, os relâmpagos sempre estiveram presentes nas tempestades, produzindo óxido de nitrogênio (NOx), que reagindo com a luz do Sol e outros gases da atmosfera gera o gás ozônio. Este, próximo ao solo, pode afetar a saúde de todos os seres vivos; plantas, animais e o homem. Nas partes mais elevadas da atmosfera, na troposfera com altura de até 12 km, o ozônio é causador do efeito estufa. Na estratosfera, entre 12 e 50 quilômetros, o ozônio passa a atuar como bloqueador da radiação solar ultravioleta, causadora do câncer de pele.

Pesquisas recentes, ainda em andamento, parecem indicar que o volume de geração de óxido de nitrogênio (NOx) através dos relâmpagos é bem maior do que era estimado até o momento. Especulam os cientistas que maior quantidade de NOx na troposfera deva acelerar o efeito estufa, aquecendo ainda mais a atmosfera. Esta aquecida, aumentam as trovoadas e os raios, que por sua vez elevam os volumes de NOx. Até o momento, dada a extrema complexidade dos fenômenos atmosféricos e dos ainda incalculáveis fatores que podem influenciar e retroalimentar este processo, não há uma explicação clara sobre seu funcionamento. Enquanto continuam pesquisando, convêm continuar a tomar cuidado com os raios.        

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