Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 71,56 / kg
Soja - Indicador PRR$ 122,92 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 130,87 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,12 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,96 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,75 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,68 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,63 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,80 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 177,83 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 189,46 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 200,77 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 210,46 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 168,87 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 195,36 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,05 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,09 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.217,19 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.093,06 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 212,24 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 191,00 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 182,20 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 184,52 / cx

Elite reunida

Em entrevista ao site da Avicultura Industrial, Arthur Gruber, professor da USP e organizador da IX Conferência Internacional de Coccidiose, fala sobre o evento, as tendências das atuais linhas de pesquisa para o controle da

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Elite reunidaRedação 22/09/2005 – Desde o início da semana, o Brasil é sede da IX Conferência Internacional de Coccidiose. Mais importante encontro técnico-científico sobre o assunto, a Conferência reúne os principais
pesquisadores para discutir e estudar novos métodos de controle e diagnóstico da coccidiose. Nesta edição, estão participando cerca de 300
pesquisadores, vindos de 28 países.

Embora seja uma enfermidade antiga, a coccidiose aviária é um dos principais problemas da indústria avícola mundial, sendo responsável por grandes perdas econômicas. Segundo os especialistas presentes no evento, estima-se que o custo da coccidiose, em termos de perda de desempenho e tratamento, seja de aproximadamente US$ 800 milhões por ano em todo o mundo.

Em entrevista ao site de Avicultura Industrial, Arthur Gruber, professor
Associado da Universidade de São Paulo e organizador da Conferência, fala sobre o evento, sobre as tendências das atuais linhas de pesquisa para o diagnóstico, prevenção e controle da coccidiose aviária e sobre a eficiência dos atuais métodos de controle da enfermidade.

Avicultura Industrial – O que o senhor poderia nos falar sobre a Conferência Internacional de Coccidiose?

Arthur Gruber – Esta conferência é um evento bastante tradicional, realizado há 32 anos. Trata-se do evento mais importante do mundo para o estudo da coccidiose aviária. Embora abordemos outras coccidioses animais, tanto que temos pessoas que trabalham com toxoplasmose, inclusive humana, boa parte da conferência, talvez 70% ou mais, é dedicada à coccidiose aviária. Deste evento já saíram inúmeras colaborações científicas, internacionais e também com empresas. Trata-se de um ambiente misto onde os pesquisadores acadêmicos podem interagir não somente entre si, mas também com seus pares na indústria.

AI – Quais as principais linhas de pesquisa hoje em voga para o diagnóstico, prevenção e controle da coccidiose aviária?

AG – Em termos de pesquisa básica, pela primeira vez na história nós temos hoje o genoma quase completo, a decifração quase completa, do genoma de vários parasitas coccídeos, incluindo Eimeria, Cliptosporidium, toxoplasma. Isso não vai gerar respostas milagrosas, mas vai certamente nos guiar muito no futuro em termos de possíveis alvos de drogas e possíveis antígenos para o desenvolvimento de vacinas. Então a quantidade de informações que temos hoje é imensa. Cabe agora ao futuro e aos novos pesquisadores utilizar essas informações para elaborar novos métodos de controle da doença.
Do ponto de vista de pesquisa mais aplicada temos várias novidades, embora bastante contestadas, e isso é importante frisar, que não tenho nenhum compromisso com nenhuma empresa, e em particular com nenhuma tecnologia, mas algumas delas chamam a atenção como, por exemplo, a vacinação in ovo que certamente é uma tecnologia inovadora em relação ao que existe hoje. A proposta de imunização maternal, embora seja bastante contestada por muitos colegas, certamente é uma proposta bastante interessante com muitas vantagens e que se vier a funcionar pode ser uma inovação muito boa. O desenvolvimento de vacinas com proteínas recombinantes também é uma tecnologia que pode vir a mudar o panorama do controle da coccidiose. Então eu acho que existem vários aspectos, como eu mencionei tanto na área de pesquisa básica como na área de pesquisa aplicada, que abrem novas fronteiras.

AI – Como o senhor relacionaria essas tendências e os atuais métodos de controle da coccidiose?

AG – O que está sendo feito hoje basicamente para o controle da coccidiose aviária é o uso de drogas. Elas têm sido usadas por muitas décadas, garantido o sucesso da avicultura não só no Brasil, mas no resto do mundo. Essas drogas, vale dizer, apresentam desvantagens, mas também muitas vantagens. Atualmente, a tendência é criticar o uso de drogas em função dos problemas de surgimento de resistência, ou seja, os consumidores não vêem com bons olhos o uso de substâncias que podem potencialmente deixar resíduos em carcaças animais. Então hoje existe uma tendência política de banir gradativamente o uso de drogas na ração animal para fins de controle de coccidiose. Mas é muito importante lembrar que foi graças ao uso dessas drogas que a avicultura se expandiu no mundo inteiro e consegui alimentar bilhões de pessoas. Essa postura tem balizado os trabalhos de pesquisa de novos métodos de prevenção diagnóstico e controle de coccidiose. Atualmente as empresas têm investido relativamente pouco no desenvolvimento de novas drogas dado justamente a esse problema político e a exigência dos consumidores,
sobretudo o de países mais desenvolvidos. Afinal, porque essas empresas investiriam tanto dinheiro sem a garantia que esses produtos terão uma sobrevida grande e um espaço no mercado avícola? Por esse motivo é que desde 1995 não se tem nenhum novo produto comercial à venda.

AI – Que caminhos o setor de pesquisa tem tomado?

AG – Em termos de vacinas se têm às vacinas vivas desenvolvidas e
comercializadas há muitas décadas, as chamadas vacinas virulentas de baixa dose. Também temos empresas vendendo as vacinas atenuadas, as chamadas cepas precoces, que apresentam maior segurança de utilização, porém, são bastante mais caras. Não temos ainda uma vacina recombinante, mas temos uma proposta de vacina baseada em moléculas purificadas e a vacina de imunização maternal. A forma de aplicação das vacinas classicamente tem sido feita por spray ou através do uso de gel nos pintinhos, mas existe também uma proposta inovadora de uma empresa que é a vacina in ovo que poderia facilitar muito o manejo das aves, assim como a própria vacinação para imunização das matrizes poderia facilitar o manejo. Então são propostas novas. Se elas irão ou não funcionar só tempo, o mercado e o setor produtivo poderão dizer. É importante frisar que não estou fazendo aqui nenhum julgamento de mérito dessas tecnologias, mas não posso deixar de dizer que são propostas muito interessantes.

AI – E as pesquisas sobre imonulogia e diagnóstico como estão?

AG – Em termos de imunologia tenta-se investigar cada vez mais como se dá a resposta imune nas aves para entender que antígenos poderiam ser mais potencialmente valiosos para aplicação em vacinas e também a forma de aplicação dessa resposta imune, o que é muito importante. Já em termos de diagnóstico hoje temos, além dos métodos convencionais baseados em morfologia, métodos moleculares excelentes para diferenciação de espécies. Alguns desses métodos são feitos pelo nosso grupo da USP e atualmente nosso grupo desenvolve métodos moleculares para a diferenciação de cepas, o que vai permitir num prazo bastante curto a perfeita diferenciação das cepas campo, de cepas vacinas e assim por diante. Isso significa que se poderá ter uma monitoração e rastreabilidade muito mais eficiente, inclusive no uso de vacinas.

AI – Na opinião do senhor quais são os principais desafios no trabalho de pesquisa de novas tecnologia para o diagnóstico e controle da coccidiose aviária?

AG – No Brasil, a primeira dificuldade é que não há muitos grupos trabalhando com o estudo da coccidiose aviária. Para se fazer uma boa ciência é preciso trabalhar em conjunto, a interação com outros colegas e fundamental. Daí a razão da existência de uma conferência como esta. Quando se trabalha num país enorme como o Brasil, no qual você faz parte do único grupo que faz biologia molecular de Eimeria é um desafio muito complexo. Então no nosso caso temos que interagir com grupos de fora para poder realizar algo comum. Em termos genéricos e em nível mundial, eu acho que existem vários desafios. Um deles é a obtenção de patrocínio para pesquisa. A coccidiose, embora seja uma doença economicamente muito relevante, não está no rol das prioridades de patrocínio das agências financiadoras em todos os países do mundo. Ou seja, há muitas outras doenças animais na Europa como, por exemplo, a Doença da Vaca Louca (BSE), Salmonelose, Influenza Aviária, que são, do ponto de vista econômico e de impacto nos consumidores, tidas como muito mais importantes e, por extensão, têm recebido enorme prioridade e atenção, o que significa também maiores recursos para pesquisa. Por outro lado, muitos governos encaram a coccidiose como um problema da produção avícola e, portanto, entendem que a pesquisa deveria ser patrocinada pelo setor privado, pelas empresas avícolas. É verdade que muitas dessas empresas investem em pesquisa, nós mesmos somos um exemplo da parceria entre o setor acadêmico e a iniciativa privada, mas também é verdade que os recursos têm vindo muito mais da indústria farmacêutica de vacinas do que da indústria de produção avícola propriamente dita, e aqui eu me refiro às empresas que fazem a criação das aves. Aparentemente a sensação que temos é de que elas não buscam se aproximar muito do setor pesquisa. É como se a obrigação de resolver o problema da coccidiose fosse uma tarefa muito maior da academia e das empresas farmacêuticas de vacinas do que de quem produz, de quem cria o frango. Quando, na verdade, esse trabalho deveria ser totalmente integrado entre o setor de produção avícola, de fármacos e vacinas de pesquisa acadêmica.

AI – A crescente insatisfação dos produtores e criadores de frangos de corte em relação à eficácia dos agentes anticoccidianos atuais, aliado à intensa pressão de organismos governamentais e não governamentais para a produção de alimentos sem resíduos terapêuticos estão fazendo com que o uso de vacinas provoque uma mudança nos conceitos de controle a coccidiose. Como o senhor analisa essa questão?

AG – Esse é um assunto bastante polêmico. A maioria das pessoas destaca o lado negativo das drogas. Por que não usá-las? Porque existem surgimentos constantes de surtos de coccidiose decorrentes de resistência dos organismos frente a essas drogas. O segundo ponto é que existe claramente uma mudança na atitude dos consumidores, especialmente na Europa, no sentido de não permitir que sejam utilizadas drogas durante a produção dos animais em função dos resíduos que potencialmente podem ficar nas carcaças dos animais criados para consumo humano. Então, certamente essa afirmação é verdadeira no que diz respeito aos fatos, mas incompleta no que diz respeito à realidade. Durante os últimos 50 anos, a indústria avícola tem conseguido se expandir de forma absolutamente fantástica, garantindo uma proteína de alto valor biológico para o consumo humano a preços mais baixos do que qualquer outra proteína animal graças ao uso dessas drogas. Eu temo um pouco quando o público e as entidades que não são acadêmicas e nem produtivas de repente criam um monstro. Como se criou o mostro da química nos anos 70, o monstro das drogas nos anos 90 e mais recentemente o monstro dos organismos geneticamente modificados. Embora tenhamos que realmente ter o controle e cuidados em relação a todos esses assuntos, a maioria desses temores tem se mostrado injustificados, ao menos à luz da ciência. Eu gostaria de ver um estudo sério, acadêmico, científico, que tenha comprovado que pessoas que se alimentaram com carne de frango nos últimos vinte ou trinta anos, cuja produção usou anticoccidianos, tenham tido qualquer tipo de doença. Veja bem, não estou dizendo que essas drogas não são tóxicas. O que estou dizendo é que dada a forma de produção avícola atual, em que essas drogas deixam de ser usadas vários dias antes do abate do animal, dada a atual utilização de drogas, eu nunca vi e, gostaria muito de ver, um  trabalho que comprovasse claramente que houve mal uso dessas drogas e que as pessoas estão consumindo produtos potencialmente perigosos a sua saúde. Eu acho que existe um pouco de exagero nesse posicionamento, assim como eu acho que existe exagero no posicionamento em relação aos transgênicos. Temos que controlar a produção desses alimentos? Evidente que sim, mas temos que tomar cuidado. Eu prefiro que as pessoas consumam produtos que potencialmente – veja bem, eu não estou dizendo que têm – possam ter resíduos, mas que sejam alimentos com baixo custo e alto valor nutricional do que produtos substancialmente mais caros e inacessíveis a uma boa parte da população, sobretudo nos países menos desenvolvidos, como é o caso do Brasil. Então temos que tomar cuidado com esse tipo de afirmação.

AI – As ferramentas atualmente existentes para o controle da coccidiose aviária são eficazes?

AG – Olhe para os resultados da indústria avícola no Brasil e no mundo e você terá a resposta. A indústria avícola mundial tem crescido expressivamente nas últimas décadas. É claro que existem surtos de
resistência, existe também a má utilização de drogas por alguns, existem vacinas que eventualmente apresentam falhas, mas no conjunto não devemos ver aquilo que falhou e sim o que funcionou. E vendo os números da produção avícola mundial não resta dúvida de que a indústria avícola se beneficiou muito com o uso dessas abordagens. E, se eventualmente elas têm restrições e/ou falhas, nós temos que desenvolver novas tecnologias, não podemos ficar parados. Mas não podemos depreciar algo que nos certamente alavancou o crescimento da indústria avícola mundial.

 

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  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 71,56
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    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 191,00
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    Recife (PE)
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