Em artigo, Carlos Tadeu Pippi Salle, coordenador do CDPA da Faculdade de Veterinária da UFRGS faz uma avaliação dos riscos que a Influenza Aviária representa para o Brasil e das medidas necessárias para conter a doença caso ela chegue ao País.
Os riscos da gripe aviária
Redação (02/03/06) Hoje o Brasil está livre da Gripe Aviária, mas há algum tempo a mídia nacional e a internacional vem alertando a população para a possibilidade de ocorrer uma pandemia de gripe aviária, ou influenza aviária. O risco existe, mas ele precisa ser bem dimensionado. O Brasil tem, culturalmente, um sistema de criação e de comercialização de aves muito diferente dos países asiáticos, nos quais foram diagnosticados os primeiros casos da enfermidade nas aves e nos seres humanos. Aqui, ao contrário de lá, as aves industriais, frangos de corte e poedeiras comerciais, são criados com o menor contato possível com os seres humanos e a população brasileira adquire o produto avícola já industrializado e não in natura. Isto significa que a carne de frango, assim como os ovos, são submetidos à inspeção veterinária federal, estadual ou municipal, antes de serem oferecidos ao mercado.
Ocorrendo a gripe aviária entre nós, ela poderá ser dividida em três compartimentos, de acordo com o conhecimento adquirido em casos anteriores, e obedecerá a seguinte seqüência de eventos: os primeiros atingidos serão as aves migratórias, silvestres e/ou criações de galinhas de fundo de quintal, em seguida o vírus alcançará a avicultura industrial e, finalmente, o homem poderá ser infectado. Desta forma, ela não passará desapercebida e, em função da alta mortalidade que provoca, não será ignorada pelos médicos veterinários. Esta mesma seqüência de eventos orienta a estratégia a ser utilizada na prevenção e controle da enfermidade. Por uma questão lógica, as primeiras barreiras à disseminação serão o controle da doença nas aves, pois, até agora, o vírus necessita passar pela ave para infectar o homem.
Assim sendo, a Nação está se preparando para a regionalização da avicultura onde cada Estado será visto como um país e o País como um continente. Se ocorrer um caso de influenza aviária em um Estado, os outros não serão penalizados e estarão aptos para comercializar seus produtos. Para que a regionalização aconteça não basta o desejo de muitos e o processo deverá ser acompanhado de medidas que garantam que a doença poderá ser diagnosticada com precisão e rapidez em laboratórios regionais e, se houver um foco, este será prontamente controlado pelos serviços de defesa sanitária animal estaduais. Para a atingir este objetivo são necessários competência profissional, infra-estrutura laboratorial sofisticada e defesa sanitária rápida e eficaz. Isto só será conseguido com vontade política e recursos financeiros adequados, pois o Brasil dispõe de pessoal qualificado, e competente, para elaborar e executar os planos adequados à prevenção e ao controle da enfermidade. Será uma leviandade esperar que o convencimento de profissionais de outros países para aceitarem a regionalização não venha acompanhado de ações claras, e comprováveis, que dêem sustentação à proposta.
Finalmente, devemos lembrar que as camadas menos favorecidas da população têm no produto avícola, carne e ovos, uma fonte protéica de baixo custo e de alta qualidade. Desta forma, a veiculação de informações que caracterizem um risco exagerado de contrair a doença levará a uma redução desnecessária do consumo desta proteína animal que é fundamental para a saúde de milhões de brasileiros.
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Prof. Dr. Carlos Tadeu Pippi Salle
Coordenador do Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária (CDPA), Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
ctps@ufrgs.br





















