Em entrevista, João Bosco Martins de Abreu, recém-eleito à presidência da Asemg, fala das prioridades de seu mandato e comenta seus planos para o futuro da associação.
De presidente novo
Redação SI (10/04/07) – João Bosco Martins de Abreu é suinocultor desde 1991. Proprietário de uma granja com 440 matrizes em ciclo completo no município de Pará de Minas (MG), João Bosco está agora frente a um novo desafio: dirigir uma das principais entidades estaduais de suinocultores do País. Recém-eleito presidente da Associação dos Suinocultores de Minas Gerais (Asemg), João Bosco já tem experiência na rotina de dirigente associativo, pois já ocupou vários cargos dentro da própria entidade. Eleito por consenso, ele afirma que sua gestão será uma continuidade da anterior, cuja diretoria fazia parte e tinha como presidente José Arnaldo Cardoso Penna.
Suinocultura Industrial – Que motivos o levaram a disputar as eleições da Asemg?
João Bosco – Todo empresário deve dedicar um pouco do seu tempo aos órgãos de classe e aos assuntos coletivos do seu negócio. No nosso caso, o agronegócio ou especificamente a produção de suínos. No atual momento, a sucessão na Asemg foi uma decisão consensual, uma vez que participamos dos dois períodos da diretoria presidida pelo José Arnaldo. O trabalho da atual diretoria deverá ser a continuidade a gestão anterior, sem grandes mudanças de objetivos.
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SI – O que muda no trabalho da Asemg sob sua gestão?
JB – Ainda no mês de abril deverá haver a primeira reunião da diretoria recém eleita. A pauta desta reunião será o planejamento dos trabalhos para os próximos três anos do nosso mandato.
SI – Quais são as principais prioridades da Asemg para os próximos três anos?
JB – A ASEMG desenvolveu em 2006, a pedido da Câmara Técnica da Suinocultura, o Plano Setorial da Suinocultura de Minas Gerais, que evidencia os principais problemas da atividade. Este trabalho não esgota o assunto. Cita os principais temas que precisam ser trabalhados para permitir ao produtor uma atividade mais harmônica, sem os tumultos que hoje o ambiente de negócios enfrenta no Estado e no País. Metade das atividades citadas depende de solução de governo. A outra metade depende das ações dos produtores. Um dos temas que certamente terá prioridade nesta gestão será o trabalho para aumentar o consumo de carne suína no Estado, que é bastante baixo no Brasil e baixo também se comparado com as outras carnes. Este trabalho depende dos produtores e dos membros da cadeia produtiva e deverá ser realizado junto com a ABCS – Associação Brasileira dos Criadores de Suínos. Um exemplo de aumento de consumo: se cada cidadão brasileiro comer a mais, um bife de 100 g por mês, o consumo per capita será aumentado em 1,2 kg por ano, o que representa cerca de 220 mil ton por ano ou 3 milhões de cabeças de suínos e acréscimo de 7% no consumo. Um bife por mês não parece um programa tão difícil de realizar.
SI – Quais seus principais desafios à frente da Asemg?
JB – Os desafios de toda a associação de classe. Mobilizar os associados no interesse coletivo. Esta mobilização pode ser de vários modos: O primeiro e mais importante é participação com a presença e o trabalho pessoal; o segundo é simplesmente se associando e participando em dia com suas mensalidades. Temos em Minas 1400 granjas produtoras de suínos e apenas cerca de duzentos associados. É também uma das metas: crescer o número de associados.
SI – Qual a atual situação da suinocultura em Minas Gerais?
JB –Segundo o levantamento do IMA – Instituto Mineiro de Agropecuária – e análises da Prof. Dra. Simone C. Garcia, da UFMG, Minas Gerais possui 203.640 matrizes suínas distribuídas em 1.493 granjas em 374 municípios mineiros. 32% destas matrizes estão no Triangulo Mineiro e Alto do Paranaíba, 28% na Zona da Mata e 12% na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O numero médio de matrizes por granja é de 166, sendo 32% destas granjas têm menos de 25 matrizes e 6% têm mais de 500 matrizes. 56% são granjas com bom estado sanitário e aceitas como bem protegidas. 40% estão em situação moderada, porém dentro de um padrão aceitável pelos órgãos de controle e apenas 4% tem vulnerabilidade Alta. 51% estão em grau elevado de tecnificação. Em relação a outros estados brasileiros, Minas gerais está bem classificado.
SI – Quais as principais dificuldades para o desenvolvimento da suinocultura em MG?
JB – Estar no agronegócio no Brasil exige muita imaginação, pois as ações do governo não permitem um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor. Faltam créditos para investimento e capital de giro. Quando estes créditos estão disponíveis, poucos empresários conseguem oferecer as garantias exigidas. Faltam sistemas de armazenagem de grãos. As estradas são precárias e os créditos para financiamento de safras inexistem.
Perfil do novo presidente
João Bosco Martins de Abreu
Data nascimento: 02/12/1938
Local: Pitangui (MG)
Local da granja: Pará de Minas (MG)
Número Matrizes: 440 (ciclo completo)
Tempo na Atividade: desde 1991





















