A estabilidade, inédita em relação ao último mês do ano, apenas reforçou a tese de que o mercado paulista do frango vivo já não reflete a realidade da avicultura de corte.
Frango vivo encerrou 2007 com o melhor preço do trimestre
Redação (08/01/2008)- Só pra contrariar, durante os 31 dias do mês de dezembro o frango vivo comercializado no interior paulista permaneceu absolutamente estável, mantendo o mesmo valor alcançado nos últimos oito dias de novembro, R$1,65/kg. A estabilidade, inédita em relação ao último mês do ano, apenas reforçou a tese de que o mercado paulista do frango vivo já não reflete a realidade da avicultura de corte, visto que no varejo o comportamento do setor foi normal para a época. De toda forma, confirmou-se também que a carne de frango é, cada vez mais, prato secundário nas Festas. Na realidade, o panorama de estabilidade observado em dezembro foi apenas “para inglês ver”, pois o equilíbrio esteve limitado, exclusivamente, ao valor nominal do produto, visto que na maior parte do período o mercado de aves vivas esteve sobreabastecido. A ponto de, em várias ocasiões, remunerar os produtores por preços inferiores aos “oficiais”. Mas não porque ocorreram excedentes do produto destinado especificamente a esse mercado e, sim, porque o mercado paulista de aves vivas transformou-se na única válvula de escape da produção integrada. Dessa forma, o que foi, até bem recentemente, o grande balizador da avicultura de corte, o principal indicador da situação econômica do frango no Brasil – e, por extensão, referência econômica da própria avicultura brasileira, visto o frango responder por mais de 80% de todo o movimento do setor avícola – já não reflete, sequer minimamente, as reais condições da atividade, dado ter sido transformado em “mercado de sucatas” para onde é direcionado todo produto não processado pelas empresas integradas. Ressalte-se: a designação não tem objetivos depreciativos. Decorre da simples constatação de que o mercado de aves vivas transformou-se (pelo menos em São Paulo) no único ponto de escoamento de todo frango integrado não abatido internamente pelas próprias empresas produtoras. Isso tem causas variadas (problemas operacionais no abate, estratégia comercial em relação ao frango abatido, entre outras), mas denota também falta de planejamento. E se, hoje, não houver mais em São Paulo um mercado que absorva os excedentes de aves vivas, como já ocorre em outros estados? Em resumo, pois, o frango vivo paulista já não é mais referencial para qualquer análise econômica do setor. O que não impede de observar que, de 2000 para cá, os preços do produto acumulam variação de 70%, índice que corresponde a uma variação média anual muito próxima dos 8% – índice que aparenta resultados bastante satisfatórios para a atividade. Mas não é bem assim. Pois enquanto nos três primeiros anos desta década a cotação média do frango vivo evoluiu 59% (R$0,91/kg em 2000; R$1,45/kg em 2003), nos últimos três anos essa evolução ficou em apenas 4,03% (R$1,49/kg em 2004/ R$1,55/kg em 2007). Leia também no Agrimídia:





















