Com esta aquisição, a múlti fica com dois frigoríficos paulistas, instalados em Jaguariúna e em Amparo.
Tyson controlará 100% da Pena Branca
Redação (12/02/2008)- Depois de duas tentativas frustradas de entrar no Brasil, a gigante americana Tyson Foods está próxima de fazer sua primeira aquisição no país. A multinacional deverá concluir nos próximos dias a compra do frigorífico de aves Pena Branca, controlado pelo grupo Predileto.
O presidente da Predileto, Antenor de Barros Leal, disse que a negociação deverá ser finalizada nos próximos dias, ainda nesta semana. "Estamos em fase final do processo de ”due dilligence” [auditoria]", afirmou. O valor do negócio não foi divulgado. Mas o Valor apurou que deve ficar em torno de R$ 130 milhões.
"A Tyson Foods será 100% controladora da Pena Branca", disse o empresário brasileiro. Com esta aquisição, a múlti fica com dois frigoríficos paulistas, instalados em Jaguariúna e em Amparo. A Pena Branca tem ainda duas granjas de matrizes em Paulínia e Tatuí, ambas também em São Paulo. "A capacidade instalada para abate de aves é de 320 mil cabeças por dia, mas hoje opera em torno de 300 mil cabeças/dia", disse Leal. Com forte participação no mercado paulista, a Pena Branca exporta frango, sobretudo, para países do Oriente Médio, além do Japão.
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Com faturamento em torno de US$ 25 bilhões, a Tyson Foods tentou algumas vezes entrar no Brasil, mas não chegou a concluir os negócios. Antes de negociar com a Pena Branca, a múlti conversou com a Dagranja, com plantas em Minas Gerais e Paraná, e também tentou comprar a paranaense Globoaves, mas não obteve sucesso. Procurada, a Tyson não retornou as ligações.
Com faturamento em torno de R$ 800 milhões em 2007, o grupo Predileto deverá concentrar seus negócios em trigo – que responde atualmente por 60% da receita da companhia. "Vamos focar em aquisições no país", afirmou Leal. O Moinho Cruzeiro do Sul, do grupo brasileiro, controla cinco moinhos próprios em Belém (PA), São Luís (MA), Recife (PE), Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e administra outros dois – um em São Paulo e no Mato Grosso.
Segundo maior processador de trigo do Brasil, atrás da Bunge, o Predileto processa cerca de 700 mil toneladas de trigo por ano de suas unidades próprias e outras 300 mil toneladas dos moinhos sob sua administração. "Ainda não estamos fechando aquisições, mas estamos de olho".
Segundo o empresário, não vale a pena investir na construção de novas unidades de trigo no país. "O Brasil tem uma capacidade instalada para 16 milhões de toneladas de trigo por ano, mas consome 10 milhões de toneladas. Não há necessidade de novas fábricas", afirmou. Leal afirmou que os investimentos no setor moageiro compensam, mesmo diante da dependência do país do trigo argentino. O Brasil importa entre 6 milhões e 7 milhões, sobretudo da Argentina.
A produção nacional de trigo está concentrada na região Sul do país, sobretudo no Paraná e Rio Grande do Sul, e gira em torno de 4,5 milhões de toneladas.





















