Os produtores queixam-se do aumento das tarifas sobre exportação de grãos.
Entidades agropecuárias suspendem protestos na Argentina
Redação (03/04/2008) – As quatro principais organizações agropecuárias da Argentina suspenderam nesta quarta-feira, 2, os protestos iniciados há 21 dias e convocaram uma trégua na disputa com o governo. Os produtores já haviam levantado nesta quarta o principal bloqueio contra o governo,situado em Gualeguaychú (200 km ao norte de Buenos Aires) a partir das 11h30 (horário e Brasília).As entidades advertiram, no entanto, que o locaute será retomado caso o governo argentino não ofereça uma contraproposta concreta a suas demandas. Os produtores queixam-se do aumento das tarifas sobre exportação de grãos. "A greve está suspensa", disse à Associated Press Mario Llambías, presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), uma das organizações responsáveis pela liderança do locaute.
"Decidimos permitir a comercialização de produtos e levantar os bloqueios rodoviários. Mas a luta continua. Se sentirmos que estão nos enganando, voltaremos a parar", acrescentou Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), que agrupa pequenos produtores. Em Gualeguaychú estava a maior mobilização dos produtores "autoconvocados", que são aqueles que agiram por conta própria durante os protestos, sem seguir as diretrizes da cúpula das entidades nacionais. Eles foram para os piquetes nas rodovias sem terem sido convocados por nenhuma entidade. Caso a decisão seja acabar com os protestos, o resto dos produtores "autoconvocados" nas mais de 300 rodovias do país também acompanhariam a deliberação.
Trégua
Embora os ruralistas não tenham conseguido a suspensão do sistema móvel de cobrança das retenções, alíquotas de impostos sobre exportações de grãos que variam de acordo com os preços internacionais, anunciado no dia 11 de março, as entidades acreditam que ganharam a queda-de-braço com o governo. Em duas semanas, a presidente Cristina Kirchner teve que fazer duas mobilizações políticas para demonstrar poder e quatro discursos – nos dois últimos apelou aos produtores para acabar com os protestos. Além disso, o governo recuou no caso dos pequenos produtores, que receberão a devolução dos impostos automaticamente. Para estes produtores, a alíquota que subiu de 35% para mais de 40% com o sistema móvel, voltará a ser de 35%. Também vão ter subsídios ao frete e uma linha de crédito com taxas de 6,5% ao ano.
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Perdas
A entidades ruralistas avaliam que ganharam a briga e temem uma crise institucional caso mantenham os bloqueios nas rodovias e o desabastecimento piore. Além disso, a colheita dos 20 mil hectares de soja está atrasada e nestes dias de locaute o setor já sofreu grandes perdas, com mais de 500 mil cabeças de gado que deixaram de ser vendidas. Centenas de caminhões de frutas, verduras e laticínios também foram para o lixo e 1,3 milhões de frangos foram sacrificados por falta de alimento.
A falta de alimentos afetou 200 mil estabelecimentos comerciais. O peso da carne no faturamento de supermercados, por exemplo, é de 15% em média e o cálculo é de que o setor deixou de faturar 300 milhões de pesos (cerca de US$ 100 milhões). Os exportadores calculam que nestes dias de locaute, 75 navios para transportar cereais, especialmente soja, ficaram parados nos portos argentinos à espera de carregamento. Cada dia de espera dos navios pelos 2,2 milhões de toneladas de grãos, óleos e farinhas custa US$ 70 mil.





















