Em mais uma tentativa de segurar a inflação dos alimentos, o governo reduzirá a zero a alíquota de importação de duas matérias-primas usadas na fabricação de fertilizantes.
Governo facilita importação de ácido fosfórico e fosfato
Redação (08/05/2008)- O Ministério da Agricultura encaminhará à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o pedido de redução temporária da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) de 4% sobre o ácido fosfórico e de 10% sobre o fosfato bicálcico. "Vamos incluir esses produtos na lista de exceção da TEC porque temos uma mudança da estrutura da demanda [por fertilizantes] e poucas alternativas de curto prazo", disse ontem o diretor de Assuntos Comerciais do ministério, Benedito Rosa, em audiência pública na Comissão da Agricultura da Câmara. "O cenário está ruim, mas pode piorar porque o consumo deve aumentar em um ritmo de 12% ao ano nos próximos três anos".
Quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, o Brasil pode sofrer um desabastecimento de matérias-primas usadas por misturadoras de adubo que atuam no mercado interno. "Podemos, sim, ter deficiências de abastecimento, coisa que nunca ocorreu antes", afirmou o presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Mário Barbosa Neto.
As questões centrais são, segundo ele, os subsídios à compra de fertilizantes por países concorrentes, a proibição da exportação dos produtos pela China e Rússia e o aumento dos custos para a produção de fertilizantes e fretes marítimos. O Brasil demanda 13% e produz apenas 1% do fósforo necessário para suprir lavouras e rebanhos. As empresas que atuam no país prevêem elevar a produção em três milhões de toneladas nos próximos três anos, mas ainda assim o cenário é perigoso. "O consumo mundial deve crescer 41% até 2014 e os preços do potássio devem ultrapassar os US$ 1 mil em pouco tempo", previu Barbosa Neto. Os aumentos expressivos dos custos de produção das lavouras podem levar a mais inflação de alimentos, já que as indústrias tendem a repassar aos preços finais a forte elevação dos preços internacionais das matérias-primas. "Há uma deficiência na oferta interna e houve uma explosão nos preços lá fora nos últimos 12 meses", confirmou o diretor de Economia Agrícola do ministério, Wilson Vaz de Araújo. A nova safra, que começa a ser plantada em setembro, registrará um relevante aumento nos custos de produção, sobretudo de fertilizantes e defensivos, segundo Araújo. "E os recursos para financiar a produção são escassos e caros", concluiu.
E os produtores ameaçam reduzir o consumo de suplementos minerais, o que poderia levar a uma restrição na oferta de carne e leite no Brasil. "Já vimos esse filme antes. A matéria-prima fica cara e o pecuarista pára de comprar", disse o presidente do Fórum de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Antenor Nogueira. Segundo ele, a falta dessa suplementação aumenta o tempo de engorda dos animais, reduz a produtividade da pecuária de leite e a natalidade do rebanho. O presidente do Sindicato da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Mario Sérgio Cutait, disse que o Brasil "está nas mãos" dos fornecedores estrangeiros. "Se a China decidir não vender mais vitamina, nosso frango vai crescer com uma perna torta e não temos nada a fazer porque importamos quase tudo de fora", alertou.
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