Atualmente, o porto de Santos, em São Paulo, é o principal para embarques de soja do Brasil. Paranaguá ainda é o segundo, com base nos embarques entre janeiro e abril de 2008.
Porto de Rio Grande fica mais atrativo para soja
Redação (12/06/2008)- O porto gaúcho de Rio Grande está se consolidando nesta safra 2007/08 como um canal de escoamento mais atrativo para a soja do que o de Paranaguá (PR), tradicional porto sulista para grãos, que já foi o principal do Brasil.
Atualmente, o porto de Santos, em São Paulo, é o principal para embarques de soja do Brasil. Paranaguá ainda é o segundo, com base nos embarques entre janeiro e abril de 2008.
Mas o prêmio para o grão de Rio Grande está com um diferencial de pelo menos 20 pontos acima do porto paranaense – antes a situação era inversa-, por proporcionar um embarque mais ágil, disseram traders.
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Com isso, as exportações em Rio Grande, que começam um pouco depois de Paranaguá – pois este porto escoa colheitas mais precoces -, estão crescendo em um ritmo maior do que o seu concorrente do Sul neste ano.
Enquanto Rio Grande registra um crescimento no primeiro quadrimestre de 34% nos embarques de soja (para 913 mil toneladas), Paranaguá teve um aumento de 11% (para 2 milhões de toneladas), e Santos, alta de 20% (para 3,1 milhões de toneladas).
"O porto de Rio Grande sempre foi melhor do que o de Paranaguá, o calado é profundo, os terminais são muito bons, até 40 pés, tem velocidade de carregamento, não tem empecilho político. É um porto que funciona", disse o corretor da gaúcha Brasoja Antônio Sartori.
Segundo ele, nem o porto de Up River, na Argentina, mesmo com o aprofundamento do calado, consegue carregar navios que exigem uma profundidade de 40 pés. "Então a melhor opção para fazer ´top off´ (completar a carga) é Rio Grande. Um Panamax para completar precisa de 40 pés, na Argentina carrega 50 mil toneladas, e vem completar em Rio Grande."
Sartori lembrou que historicamente a soja do porto de Rio Grande valia menos 10 pontos (centavos de dólar por bushel em relação à bolsa de Chicago) ante Paranaguá, resquício de problemas de qualidade registrados em um passado distante, algo que os compradores ainda tiraram proveito até 2007.
Além das melhorias em Rio Grande, fruto de uma dragagem realizada em 2006, os importadores têm optado pela soja gaúcha, e até pago um prêmio por isso, em função de dificuldades logísticas enfrentadas em Paranaguá, afirmam fontes do mercado, que sempre se referem aos problemas de calado do porto do Paraná.
A administração do porto público já está em processo de contratação de uma draga para garantir a manutenção do canal de Paranaguá, mas ainda não há previsão do início dos trabalhos, segundo a assessoria de imprensa.
"Hoje o porto de Rio Grande embarca parcelas de soja que antes eram embarcadas em Paranaguá", acrescentou Sartori.
Sem filas
"Em Rio Grande, o canal funcional em qualquer condição de maré, o navio que se programou entra e sai sem espera e não há filas", disse o diretor-superintendente dos terminais privados Termasa/Tergrasa, Guilherme Dawson, que responde por cerca de 78% da soja exportada pelo porto.
Termasa e Tergrasa são controlados pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda, que representa dezenas de agricultores cooperados do Estado. O Tergrasa tem capacidade de embarque de 3 mil toneladas por hora e, segundo Dawson, está entre os mais ágeis do mundo.
"Do outro lado (em Paranaguá), há dificuldades operacionais. Juntam-se essas duas coisas, tem-se um prêmio melhor", disse Dawson. "Temos vários clientes que estão se deslocando para cá por essa agilidade."
O diretor da corretora Labhoro, Ginaldo de Sousa, com sede no Paraná, disse que enquanto o desconto para a soja de Paranaguá estava em 20 centavos, nas condições de mercado de terça-feira, o embarque para julho em Rio Grande indicava o prêmio na paridade com Chicago.
"Rio Grande está pagando R$ 1 por saca a mais, isso é mais logística do que qualquer coisa", disse Sousa, que acredita que a situação volte ao normal tão logo os problemas em Paranaguá sejam resolvidos.
"Sem dúvida, Paranaguá é um dos melhores portos do Brasil, tem liquidez, você pode arbitrar com outros portos do mundo, é uma coisa temporária", completou o corretor.





















