Com o preço do milho ainda mais alto por causa das inundações na região, suinocultores pensam em desistir da atividade.
Custo de Suínos sufoca produtor nos EUA
Redação (20/06/2008)- Shaun Greiner, um criador de suiínos de 39 anos no sudeste do Estado de Iowa, no Meio-Oeste americano, diz que seu negócio vem perdendo dinheiro desde novembro. Com o preço do milho ainda mais alto por causa das inundações na região, ele pensa em parar. "É como atiçar o fogo com gasolina" diz ele, enquanto, sobre um trator, espalhava adubo numa plantação de forragem.
Criadores de animais de grande ou pequeno porte em todo o país têm enfrentando custos de rações crescentes nos últimos dois anos. Agora, a pesada inundação em Iowa piora a situação. O preço do milho subiu 13% nas duas últimas semanas, fechando quinta-feira a US$ 291 por tonelada em Chicago.
O presidente americano, George W. Bush, visitou quinta-feira Iowa e prometeu ajuda para reconstrução à medida que a enchente se movia para o sul, no Estado de Missouri. Quando voltou a Washington, um consórcio de donos de frigoríficos pediu ao governo que desistisse de planos para produção de etanol, que responsabilizam por sugar o suprimento de milho e pressionar a cotação.
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"Há uma enorme preocupação", disse Richard Lobb, porta-voz do Conselho Nacional de Aves. "Isso está colocando uma pressão significa em todas as empresas."
Inundações, preços dos grãos, analistas de risco de Wall Street preocupados e consumidores assustados juntaram-se nos últimos dias para reduzir em milhões de dólares o valor de ações de gigantes na produção de proteínas como Smithfield Foods, Tyson Foods e Pilgrim”s Pride. As ações da Tyson ganharam impulso quinta-feira depois que a BMO Capital, percebendo a queda de cotação, disse que a empresa era "nossa idéia favorita de proteína". A Tyson fechou cotada a US$ 14,47 por ação, alta 5,77%.
Apesar da alta recente no preço da carne, os frigoríficos e criadores que os abastecem não têm sido capazes de compensar o aumento colossal nas despesas com grãos. Isso tem sido exacerbado pela esperada quebra de safra em conseqüência das enchentes e más condições de tempo. Uma estimativa preliminar mostra que 1,6 milhão de hectares de lavouras do Meio-Oeste foram danificadas pelas enchentes, segundo declaração do secretário de Agricultura, Ed Schafer, à Dow Jones Newswires depois de viagem a Iowa.
Alguns grandes processadores de carne estão abatendo suas matrizes por causa da alta crescente da ração. Em Iowa, os criadores estão lutando para colocar seus rebanhos em segurança. Algumas fazendas perto de Oakville, em Iowa, não tinham sido completamente evacuadas antes do rompimento de um dique de contenção de água no fim de semana. Parte do rebanho foi deixada à própria sorte. Outros foram abatidos quando correram na direção de um dique de contenção. Os funcionários que trabalham na operação temiam que os porcos rompessem os sacos plásticos cheios de areia e provocassem mais inundação.
Um grupo de voluntários levou na quinta-feira uma barca até as áreas inundadas e resgatou cerca de 200 porcos que estavam em telhados e diques. Algumas poucas fazendas perto de Oakville, Iowa, não tinham sido esvaziadas completamente antes que o dique se rompesse, durante o fim de semana. Muitos porcos na área foram abandonados. Alguns foram sacrificados com tiros quando tentaram subir num dique porque as autoridades temiam que seus cascos rompessem o plástico dos sacos de areia e causassem ainda mais alagamentos.
O próprio Miller participou do esforço, hospedando uns 600 suínos num galpão vazio que tem em Winfield, Iowa. "Normalmente colocamos os porcos no berçário, mas agora eu digo que é um orfanato", disse.
Phil Borgic, de 51 anos, é um produtor de suínos no centro do Estado americano de Illinois que tinha cerca de 3.000 porcas que geravam 75.000 leitões por ano. Ele compra umas 1.900 toneladas de milho por ano para alimentá-los.
Para equilibrar a alta dos custos, ele vendeu 5% da cria em janeiro para abate. Ele também começou a medir cada leitão de seis em seis semanas e ajustar sua ração diária para evitar que fiquem gordos ou magros demais. Ele acha que fazendo isso poupará 225 gramas diárias de ração por leitão, ou cerca de US$ 62.000 na cotação atual do milho. A situação é "grave", afirma. "Ninguém previu que os grãos iam aumentar tanto assim".
Mike Ver Steeg, criador de suínos de Inwood, Iowa, há muito que tenta cortar a gordura de sua criação. Ele estuda desmamar os leitões mais rapidamente, para que ela possa tirá-los alguns dias antes da dieta altamente nutritiva de que precisam quando são recém-nascidos. A grande economia: US$ 168 para o verão inteiro. "Quando a ração está cara e tudo o mais também, você faz de tudo" para economizar nos custos, diz.
No curto prazo, é provável que os fazendeiros vendam parte de seu gado para evitar pagar os altos custos da alimentação. Isso pode baixar os preços da carne por um tempo, mas depois eles devem voltar a subir por causa dos custos mais altos da ração.





















