Crise no agronegócio mato-grossense tem efeito negativo. Setor que mais sofreu com a queda de preços foi o do algodão.
Agronegócio sustenta, mas ressente efeitos
Para o agronegócio mato-grossense, o saldo da crise é altamente negativo. Os preços das commodities agrícolas despencaram e os bancos fecharam a torneira do crédito para o plantio da safra. A cultura que mais sofreu foi o algodão, que dependia de recursos para custeio no final do ano passado. De positivo mesmo, só a alta do dólar durante uma parte do ano que ajudou nas exportações.
Os analistas definem a crise como um “imenso furacão” que se abateu sobre o agronegócio, impactando o setor de várias formas. A soja sofreu as piores cotações da história. No primeiro momento da crise, por exemplo, os preços em Chicago (EUA) chegaram a despencar de US$ 11,80 por bushell para US$ 8,77, recuo de 25% em um período de apenas 30 dias. Já a cotação do milho caiu de US$ 5,22/bushel para US$ 4,02, queda de 23%. No caso do algodão, a redução dos preços foi de 19,32, com a cotação recuando de US$ 0,6171 por libra peso para US$ 0,4979.
Na história recente das commodities, os preços nunca caíram tanto num período tão curto de tempo, criando um cenário de ceticismo e apreensão para os produtores.
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“As perdas foram grandes. No auge da crise tivemos sérias dificuldades de crédito. Muitos produtores deixaram de investir na renovação da frota agrícola. A crise reprimiu os investimentos e provocou aumento da inadimplência do pagamento das máquinas. Mas, hoje, o quadro já está começando a se normalizar porque os bancos voltaram a operar, assim como as tradings que financiam o plantio”, analisa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Ottoni Prado.
Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), reforça que o setor que mais sofreu com a crise foi o algodão. Levantamento da Associação dos Produtores de Algodão (Ampa) aponta que 90% dos recursos para plantio têm como fontes os recursos externos – normalmente, concentradas nas tradings abastecidas pelas instituições de crédito internacionais. Ainda de acordo com a entidade, as taxas de juros aumentaram de 8,5% para até 20% ao ano somente no intervalo da crise. “No nosso caso a situação é mais grave porque praticamente todo o dinheiro vem de fora”, avaliam diretores da Ampa.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a crise se manifestou de uma forma mais rápida para o setor agrícola, afetando diretamente os produtores. “A grande verdade é que o produtor nada pôde fazer. Não era uma crise pontual, e sim sistêmica, pois afetava todo mundo com a falta de crédito”.
Fernando Muraro Júnior, analista de Mercado da AgRural, diz que neste primeiro ano da crise a agricultura passou por momentos de forte turbulência, causando tensão ao mercado financeiro em todo o mundo. “Ficamos no contrapé. Mato Grosso viveu uma situação muito delicada, com custos elevados, escassez de crédito e preços no mercado internacional em queda”.
Para o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, a crise foi “ruim” para todo mundo. “Tivemos menos investimentos e a agricultura também sofreu com isso. Somente agora estamos começando a nos recuperar. Acredito que a agricultura de Mato Grosso foi uma das mais atingidas pela crise, mas acreditamos que gradativamente os investimentos serão retomados”.





















