Setor suíno escocês vive momento crítico, com pressão financeira crescente e risco à capacidade produtiva no longo prazo
Escócia enfrenta crise na suinocultura com queda de preços e prejuízos nas granjas

De acordo com a NFU Scotland, o setor suíno da Escócia enfrenta uma pressão intensa e contínua, com perdas financeiras recorrentes que vêm acelerando a redução dos rebanhos e colocando em risco a capacidade produtiva no longo prazo. A entidade alerta que, sem uma resposta imediata e coordenada entre governo, varejo e toda a cadeia de suprimentos, o país pode perder uma parcela importante da sua base de produção de alimentos.
Nos últimos meses, os preços da carne suína registraram forte queda, influenciados por uma combinação de fatores, como a fragilidade do mercado na União Europeia, interrupções no processamento, limitações sazonais nas plantas industriais e pressões ao longo da cadeia. A desvalorização no mercado europeu também segue impactando negativamente os preços no Reino Unido.
A situação é agravada pela estrutura limitada de abate na Escócia. Com apenas um grande matadouro em operação, localizado em Brechin e pertencente ao Browns Food Group, produtores independentes ficam mais expostos. A unidade tem recusado um volume significativo de animais, o que eleva o acúmulo de suínos nas granjas e obriga produtores a buscar alternativas em matadouros ao sul da fronteira, muitas vezes aceitando valores considerados muito baixos.
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Segundo a NFUS, há relatos de produtores recebendo até 15% menos que o Preço de Compra Estatístico (SPP) do Reino Unido, fixado em 180 pence por quilo, enquanto os custos de produção giram em torno de 188 pence por quilo. Esse cenário mantém a atividade operando abaixo do custo, tornando a situação financeiramente insustentável. A entidade destaca que o desequilíbrio é estrutural e não pontual.
Como consequência, muitas granjas acumulam prejuízos que variam entre 700 e 1.000 libras por matriz, com unidades de 500 matrizes podendo ultrapassar perdas anuais de 500 mil libras. Esse quadro tem levado produtores a reverem o tamanho dos rebanhos, adiarem investimentos e reduzirem a produção.
Desde o início do ano, a Escócia já perdeu cerca de 10% do número de matrizes, movimento adotado como forma de garantir a sobrevivência financeira das propriedades. A NFUS alerta que, mantido esse ritmo, o setor pode atingir um nível de produção inviável, dificultando ou até inviabilizando uma recuperação futura.
Diante do cenário, a entidade intensifica o diálogo com processadores e varejistas e pretende levar a questão ao novo Secretário de Estado, solicitando medidas emergenciais e mudanças estruturais. Entre as propostas estão a melhoria da rotulagem de origem, ampliação da presença da carne suína escocesa no varejo e em compras públicas, incentivo a investimentos e maior promoção do setor, além de articulação direta com o governo.
O setor também busca apoio financeiro diante das perdas acumuladas, destacando que a baixa rentabilidade compromete investimentos, capacidade produtiva e sustentabilidade no longo prazo. Para o presidente da NFUS, Andrew Connon, o momento é decisivo e, sem ações rápidas relacionadas a preços, equilíbrio de mercado e estrutura da cadeia, a Escócia pode enfrentar perdas irreversíveis em sua produção suinícola.
Fonte: NFU Scotland/Pig World























