Artigo da médica veterinária Lilian C.S. da Cruz condena o uso do termo gripe suína e enfatiza que o consumo da carne suína não transmite o vírus.
O poder da gripe
Secular e praticamente indestrutível, o vírus Influenza sofre mutações a cada ano, e em 2009 não podia ser diferente. Independente da variação do vírus, qualquer gripe pode matar, e, no ano passado, apenas no Estado de Santa Catarina 60 pessoas morreram devido à gripe comum.
Toda e qualquer gripe é capaz de matar seu portador, mas é o estado imunológico da pessoa que define a intensidade dos sintomas e a progressão da doença. Crianças, idosos, gestantes e adoentados são considerados susceptíveis por estarem em uma situação que deprime a imunidade, permitindo que infecções oportunistas desenvolvam-se de maneira agressiva e até mesmo fatal.
Por ser um vírus corriqueiro em humanos e animais, e por apresentar uma capacidade frenética de mutação, algumas variantes conseguem se desenvolver em uma espécie animal e acometer outra, como a Influenza H1N1. Porém, condenar o suíno, uma espécie tão mal interpretada no passado (como no caso da cisticercose que é resultado da má higienização de folhas e saladas, e não da carne suína mal passada) não é a melhor saída.
Leia também no Agrimídia:
- •Alibem exporta carne suína para mais de 40 países e comercializa 160 mil toneladas por ano
- •Perfil do consumidor brasileiro muda em 2026 e exige novas estratégias do varejo
- •Europa conscientiza população e produtores: workshops gratuitos para prevenção da Peste Suína Africana
- •Vendas de carne nos EUA atingem recorde histórico de US$ 112 bilhões impulsionadas pelas gerações Millennials e Z
Ao definir a gripe A como gripe suína, não condenamos apenas o animal, mas toda uma cadeia produtiva da qual dependem milhares de pessoas e boa parte da economia nacional. O mercado suinícola tem sido afetado de várias formas, seja cultural, econômica ou politicamente, durante anos.
Mesmo assim, os suinocultores e indústrias frigoríficas brasileiras conseguiram tornar o País um dos maiores exportadores mundiais de carne suína. Os meios de prevenir e combater uma gripe, seja ela qual for, são praticamente os mesmos. Mas, de forma alguma a exclusão da carne suína do cardápio evitará as mortes pela Influenza, já que, por se tratar de um vírus do aparelho respiratório, sua transmissão se dá pelo ar e não pela ingestão de carne. Não existe gripe suína, existe gripe A, que mata como qualquer outra gripe.
Santa Catarina é destaque mundial na produção de suínos e aves. Não deixe um mito acabar com uma produção. A gripe de 2009 é gripe A, não gripe suína.
* Médica veterinária em Chapecó





















