Redação SI 11/10/2005 – Suinocultores integrados da Seara Alimentos estão ameaçando romper o contrato de parceria com a empresa caso ela se recuse a negociar questões como preço, lavagem das instalações, destino dos dejetos e outras despesas.
Hoje, 150 produtores participaram de uma manifestação em frente à sede da empresa, em Seara, no Meio-Oeste catarinense, e assinaram um documento com a intenção de rescindir o contrato.
De acordo com o presidente da Comissão de Negociação dos Suinocultores, Leonir Giaretta, o documento deverá ser entregue até sexta-feira. Até lá, a empresa tem prazo para se manifestar, caso contrário deve haver rescisão em massa.
Giaretta teve seu contrato rescindido no mês passado após liderar a comissão que exigia mudanças na nova política da empresa, implantada após a venda para a Cargill.
Cleocir Fachini, que também integrava a comissão, foi afastado no mesmo período, sob alegação de que não estava cumprindo as metas.
Fachini recebia R$ 14,80 por suíno, de um lote com 300 animais. Sua renda mensal com a atividade era de R$ 700 por mês.
O suinocultor Neodi Vicari, de Ipumirim, ameaça parar com a atividade. Ele não teve o contrato suspenso mas quer desistir de criar suínos depois da remuneração que recebeu na sexta-feira passada.
Para um lote de 533 animais, com média de 87,5 quilos, recebeu R$ 1.371,59. Tirando os R$ 360 da limpeza, ficou com R$ 1051,79, o que representa uma remuneração de R$ 1,97 por suíno.
Para o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), a atitude da empresa revela uma postura autoritária e sem preocupação com a comunidade.
Até os funcionários estão com um indicativo de greve a partir de quinta-feira.
A direção da empresa não recebeu os produtores, nem a imprensa. Segundo a reportagem do Diário Catarinense, a informação repassada era de que os diretores estavam em reunião e de que não iriam se manifestar.
O secretário de Desenvolvimento Regional de Concórdia, Idair Piccinin, disse que vai tentar abrir um canal de negociação entre as partes.