A importância da adoção de medidas de controle da incidência de salmonela na produção avícola foi um dos assuntos discutidos na manhã desta sexta-feira no IV Seminário Internacional de Aves e Suínos.
Salmonela free
Redação AI 13/05/2005 – A bactéria salmonela é reconhecida como um importante patógeno em humanos. Embora seu isolamento seja observado em produtos de origem vegetal, animais domésticos, solo e água, as fontes de contaminação mais freqüentes em infecções de humanos ainda são os alimentos de origem animal.
A importância da adoção de medidas de controle da incidência de salmonela na produção avícola e, especialmente, o impacto da qualidade microbiológica da ração na contaminação de ovos e carcaças, foram os temas abordados pelo diretor de pesquisas da Anitox Corporation, Kurt E. Richardson, no segundo dia do IV Seminário Internacional de Aves e Suínos, realizado na AveSui América Latina.
Segundo Richardson, a pressão dos consumidores para que as empresas produtoras de alimentos garantam a segurança alimentar de seus produtos é hoje o principal motivo para a adoção de programas de controle da incidência de salmonela na produção animal. O pesquisador apresentou um estudo de mercado realizado nos EUA no qual 8% dos entrevistados afirmaram que deixaram de consumir carnes de aves devido a preocupações com a segurança alimentar. “Esse sentimento de que os produtos avícolas e outros de origem animal, como a carne suína, por exemplo, oferecem um risco significativo de segurança alimentar também existe em outros países”, alerta.
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De acordo com Richardson, as agências governamentais também consideram que os produtos de origem animal podem oferecer risco à saúde humana e, desta forma, já adotaram padrões máximos de tolerância à incidência de contaminação por salmonela.
O pesquisador cita o Plano Estratégico de Segurança Alimentar, implementado em 1996 nos EUA que foi dirigido para as plantas de processamento e a adoção de programas HACCP. Desde a adoção deste plano pela indústria, revela Richardson, a incidência média de salmonela em carcaças de frangos foi reduzida de 20% para 9,9% em grandes plantas de abate.
Entretanto, enfatiza o pesquisador, os produtores de animais estão sendo pressionados para reduzir ainda mais a incidência de salmonela. “Os produtores devem considerar a expansão dos planos de HACCP para incluir as granjas onde as principais origens da contaminação são os animais de reprodução, o incubatório, a fábrica de ração e o ambiente da propriedade”.
Veículo de contaminação – Embora não seja a única, a ração é reconhecida como fonte de contaminação de salmonela há mais de 60 anos. Mesmo assim, afirma Richardson, a importância da incidência de salmonela na ração como veículo de contaminação das carcaças das aves vem sendo discutida mais detalhadamente pela indústria apenas nos últimos anos.
Segundo ele, diversos estudos epidemiológicos sobre a contaminação por salmonela em aves foram realizados a partir da década de 90, quando os pesquisadores relataram que os sorotipos de salmonela encontrados nas rações não eram os mesmo encontrados nas plantas de processamento. “Existem, no entanto, diversos fatores que podem justificar essa não conformidade com a realidade, incluindo o sistema de amostragem, a virulência da bactéria no animal e a metodologia de isolamento da salmonela adotada nos laboratórios”, explica.
A adoção de procedimentos adequados de amostragem na fábrica de ração, argumenta o pesquisador, são críticos para se avaliar o impacto da contaminação bacteriana de rações e ingredientes na carcaça dos animais. “O desenvolvimento de programas de amostragem, que coletem amostras de forma adequada e em quantidades suficientes, aumenta a possibilidade de se isolar salmonela na ração”, afirma. “Em estudos recentes, utilizando procedimentos adequados, pesquisadores foram capazes de demonstrar que vários sorotipos de salmonela isolados na ração estavam também presentes na casca do ovo”, completa Richardson.
O pesquisador revela que a indústria de criação de aves reprodutoras tem observado que o controle de salmonela na ração promoveu um impacto na incidência da bactéria nas matrizes, sendo que as medidas de controle sobre a presença de salmonela na ração têm se mostrado eficiente para reduzir a contaminação em animais e no ambiente da granja.
Richardson apresentou alguns trabalhos de campo desenvolvidos com matrizes de perus para aferir os efeitos da adoção de um Programa HACCP para reduzir a contaminação vertical, contaminação de incubatórios e a transmissão horizontal. Segundo ele, foi observado que as medidas de controle adotadas foram efetivas na redução da contaminação por salmonela de um índice de incidência nas aves de 40% para 20% em um período de um ano. “Um índice maior de redução sobre a contaminação foi ainda observado quando foram adotadas medidas de tratamento químico da ração dentro do Programa de HACCP”.
De acordo com Richardson, a redução na incidência de salmonela da ração enviada para as granjas também apresenta efeitos benéficos na redução da contaminação ambiental. Em teste de campo realizado em uma integração de matrizes de frangos de corte, explica o especialista, a ração foi identificada como sendo o principal veículo de contaminação de salmonela nas granjas de aves. “Diante de tal situação, um programa de HACCP foi adotado para a fábrica de ração, que promoveu melhorias na higiene e tratamento químico da ração para o controle microbiológico e foram avaliadas as incidências da contaminação de salmonela na ração, swabs de cloaca e amostras da cama por um período de cinco anos”, explica Richardson.
Durante o primeiro ano do teste, revela o pesquisador, foi observado uma redução na eliminação de salmonela pelas matrizes no ambiente, o que resultou numa radical redução da incidência de contaminação nas amostras de cama, passando de 93,7% para 29,4%. Já entre o segundo e o terceiro ano do teste verificou-se uma diminuição gradual na incidência de salmonela na cama, enquanto que no quarto ano, não foi isolada a bactéria salmonela em amostras de cama coletadas nas granjas. “A ração não é a única fonte de contaminação de salmonela, mas é um veículo de transmissão importante e precisa ser monitorado. É também uma importante do Programa de Biosseguridade”, conclui o pesquisador.





















