Demanda doméstica enfraquecida pressiona cotações, enquanto exportações seguem firmes e sustentam o mercado, aponta Cepea
Preços da carne de frango recuam na segunda quinzena de abril, mesmo com exportações em alta

Após três semanas consecutivas de alta, os preços internos da carne de frango passaram a registrar leves quedas na segunda quinzena de abril de 2026. De acordo com pesquisadores do Cepea, o movimento é resultado do enfraquecimento típico da demanda doméstica neste período do mês, fator que tem limitado a sustentação das cotações no mercado interno.
Demanda doméstica mais fraca pressiona valores
Segundo o Cepea, mesmo com um cenário de oferta relativamente equilibrada, a redução no consumo interno tem sido determinante para a recente queda nos preços. O comportamento mais cauteloso dos consumidores, comum na segunda metade do mês, reduz o ritmo das negociações e impacta diretamente os valores praticados.
Exportações em alta ajudam a equilibrar o mercado
No mercado externo, o desempenho segue positivo. Dados da Secex indicam que a média diária de exportações de carne de frango in natura na parcial de abril (considerando 12 dias úteis) alcançou 22,6 mil toneladas.
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O volume representa:
- Alta de 6,1% em relação à média diária de março de 2026;
- Crescimento de 3% frente ao mesmo período de abril de 2025.
Esse ritmo firme das exportações, aliado a estimativas de menor volume de abates apontadas pelo Cepea, evidencia que a oferta interna permanece controlada. Ainda assim, não tem sido suficiente para evitar a pressão baixista causada pela demanda doméstica enfraquecida.
Custos e consumo influenciam expectativas para maio
Para o mês de maio, agentes do setor consultados pelo Cepea projetam possível reação positiva nos preços da carne de frango. A expectativa está atrelada à entrada da massa salarial na economia, o que tende a elevar o poder de compra da população e estimular o consumo de proteínas.
Por outro lado, há agentes mais cautelosos. A sequência de altas observada ao longo de abril, impulsionada pelo aumento dos custos de produção e seu repasse ao consumidor final, pode limitar uma recuperação mais consistente da demanda.
Perspectiva do setor
O mercado deve seguir sensível ao comportamento do consumo interno nas próximas semanas. Caso a demanda reaja com a melhora do poder aquisitivo, os preços podem voltar a subir. No entanto, a manutenção de custos elevados e o histórico recente de reajustes podem continuar influenciando o ritmo das negociações.





















