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Cai valor de mercado das agroindústrias

Ações de empresas de frango e suíno, como Sadia e Perdigão, enfrentam período de baixa liquidez.

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Da Redação 14/10/2002 – Ações de empresas de frango e suíno, como Sadia e Perdigão, enfrentam período de baixa liquidez. Depois de sete meses de bom desempenho, o valor de mercado das principais agroindústrias do País caiu em agosto, segundo levantamento da consultoria de investimentos Global Invest. Foram analisadas as companhias Avipal, Perdigão, Sadia e Seara. “Há um sentimento muito negativo no mercado. Mesmo com o bom desempenho do agronegócio, os frigoríficos acabam sendo afetados pelo pessimismo do mercado”, diz Fernando Ferreira, diretor estrategista da Global Invest.

Com exceção da Seara, todas as companhias analisadas tiveram seu valor de mercado rebaixado. “As ações das agroindústrias têm baixa liquidez, o que afasta o investidor”, diz. No entanto, nos primeiros meses do ano houve uma migração para os papéis desses mesmos frigoríficos, que à época ofereciam maior segurança.

Barreiras da UE

Para Fabiano Guimarães Costa, analista econômico do Rabobank, a superoferta de frango e suínos no mercado internacional, o aumento dos preços das matérias-primas (insumos), cotados em dólar, e as barreiras impostas, sobretudo pela União Européia (UE), são fatores que pesam de forma negativa ao setor no momento. “O ano de 2001 foi extremamente positivo para as agroindústrias, que tiveram um bom desempenho nas exportações. Houve grande investimento na capacidade instalada dessas indústrias, que acabaram não sendo absorvidas neste ano”, diz.

Segundo ele, o cenário pode voltar a ficar positivo no médio prazo. “As indústrias colocaram pé no freio agora. Mas o mercado está se ajustando, o que pode ser favorável ao Brasil, com o dólar valorizado e o produto nacional competitivo no exterior”, diz.

Mercado competitivo

O valor de mercado dessas empresas poderia ter sido maior, se o agronegócio não estivesse competitivo neste ano. No primeiro semestre, essas empresas sofreram poucas influências negativas do mercado, ao contrário das companhias de telecomunicações e energia, por exemplo. “Há um certo limite para o descasamento do mercado entre essas empresas e as outras, que sofrem maior influência da macroeconomia”, diz Ferreira, da Global Invest.

As empresas, segundo o consultor, estão enfrentando escassez de crédito no mercado. “Quando o cenário voltar a ficar favorável, os investidores começam a migrar novamente para os papéis das empresas como maior liquidez.”

Exportações favoráveis

A Sadia, a Perdigão e a Avipal tiveram desvalorização de 2,57%, 13,35% e 15,13%, respectivamente, em agosto, em relação ao final do ano passado. A exceção foi a Seara, que, no mesmo período, valorizou-se 9,9%. Com o câmbio valorizado, essas companhias beneficiaram-se das exportações.

Para José Vicente Ferraz, diretor da FNP Consultoria & Comércio, o desempenho do agronegócio tem sido mais dinâmico em comparação com os outros setores. “Mas quando a economia está ruim, todos acabam se prejudicando de alguma maneira.” Segundo o consultor, a retração do consumo prejudica os negócios das empresas. “No entanto, é preciso lembrar que as empresas são competitivas, o que pode contribuir para uma rápida recuperação”, afirma.

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