Embargo temporário atinge unidade de Vilhena e eleva para cinco o número de frigoríficos brasileiros com vendas suspensas ao mercado chinês
China suspende importações de carne bovina da JBS em Rondônia após detecção de progesterona

A China voltou a suspender temporariamente a importação de carne bovina de uma unidade brasileira, desta vez atingindo o frigorífico da JBS em Vilhena, em Rondônia. A decisão foi tomada após autoridades chinesas identificarem a presença de progesterona em cargas enviadas ao país asiático, segundo informações repassadas ao governo brasileiro.
O embargo ocorre em um momento delicado para a indústria frigorífica nacional, que enfrenta pressão com o avanço das cotas de exportação para a China, custos operacionais elevados e margens reduzidas diante da valorização do real frente ao dólar.
Com a nova medida, chega a cinco o número de plantas brasileiras suspensas de exportar carne bovina para o mercado chinês. De acordo com a Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC), estão na lista duas unidades da JBS, além de frigoríficos das empresas Prima Foods, Frialto e SulBeef. A unidade de Vilhena se soma à planta da JBS em Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, que também teve as vendas interrompidas recentemente.
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A planta de Vilhena tem capacidade de abate de cerca de 1,1 mil cabeças de gado por dia, volume semelhante ao da unidade mato-grossense. Apesar do impacto, agentes do setor avaliam que parte das perdas pode ser compensada pela reabilitação da unidade da JBS em Mozarlândia, em Goiás, que voltou a ser autorizada a exportar para a China após mais de um ano suspensa por não conformidades. A planta goiana possui capacidade maior, de aproximadamente 2,5 mil cabeças por dia.
Pressão sobre o setor
Mesmo diante das suspensões, a China segue como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático conta atualmente com 67 plantas habilitadas no Brasil. Recentemente, três unidades voltaram a operar após um longo período de embargo, incluindo a de Mozarlândia, mas novas restrições voltaram a ser impostas poucos dias depois, reforçando o rigor sanitário adotado pelas autoridades chinesas.
Além das suspensões, outro fator preocupa o setor exportador: o avanço da cota de importação chinesa para 2026. Mais de 55% do volume estimado em 1,1 milhão de toneladas já foi preenchido. Diante disso, frigoríficos têm restringido novos negócios para embarques apenas até o fim de junho, numa tentativa de evitar que cargas cheguem aos portos chineses após o limite da cota.
Caso isso ocorra, há risco de aplicação de sobretaxa que pode chegar a 55% sobre a carne brasileira. Sem a mesma capacidade de absorção por parte do mercado chinês, analistas avaliam que as margens da indústria tendem a ficar ainda mais pressionadas ao longo do ano.
A JBS ainda não se manifestou sobre a nova suspensão até a última atualização das informações. O espaço segue aberto para posicionamento da empresa.
Fonte: Compre Rural























