Para evitar maiores desgastes, ruralista “fatia” crise.
Dívidas do campo
Da Redação 18/05/2005 – Em intensa campanha de bastidores no governo, parlamentares e líderes ruralistas mudaram o tom do discurso em defesa da renegociação das dívidas do setor. A estratégia para neutralizar uma reação negativa da sociedade contra a repactuação será “fatiar” a crise e separar a situação de cada cultura e dos principais estados produtores.
De um lado, vão apresentar os segmentos em crise – soja, milho, algodão, arroz, trigo e pecuária de corte -, pedindo uma solução para os débitos de custeio e das parcelas de dívidas já renegociadas. De outro, mostrarão café, laranja, cana e leite como setores que não sofreram com a seca.
Reforçando o lobby, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciará, amanhã, nova queda do PIB da agricultura e do faturamento bruto dos 25 principais produtos do setor. Em 2004, o PIB agrícola recuou 1,7%.
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Mudou também a estratégia de pressão dos produtores sobre credores privados. Ao invés de fazer uma manifestação nacional pela renegociação das dívidas, haverá protestos regionais, no próximo dia 31 de maio, no Sul e no Centro-Oeste.
Os ruralistas também decidiram pedir ao governo o congelamento do Plano de Safra 2005/06 até uma solução para os débitos da atual safra. “Não vamos debater o novo plano até junho ou julho”, diz Homero Pereira, presidente da federação de Mato Grosso.
A causa ruralista ganhou ontem dois apoios. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse, em almoço na sede da CNA, que ajudará a intermediar uma audiência com o presidente Lula na próxima semana. Prometeu apressar a votação de um projeto para renegociar R$ 6,5 bilhões em dívidas de produtores do Nordeste, limitar em 5% os juros anuais dos empréstimos e criar uma fundo garantidor para amenizar frustrações de safra. Pela manhã, o vice-presidente José Alencar fez coro às críticas contra os juros altos e disse apoiar as demandas do setor.





















