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Desenvolvimento sustentável

Emergentes terão que adotar meta de emissão de gás, diz diretora-geral da OMS, Gro Brundtland.

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Da Redação 23/10/2007 – Para a norueguesa Gro Harlem Brundtland, 68 anos, não há tempo a perder: os países emergentes devem se comprometer com metas de corte de emissão de gases-estufa nas negociações sobre o futuro do Protocolo de Kyoto. "Basta pensar no mundo daqui a 20 anos. Não é inteligente olhar para a China, que será um emissor muito maior que os Estados Unidos, e dizer que nada deve acontecer ali".

Na próxima reunião internacional sobre mudanças climáticas, em Báli, em dezembro, algo deve sair do forno. "A Indonésia não terá as soluções, mas abrirá as portas", diz a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, a OMS. "Temos que encontrar meios para que países em estágios diferentes de desenvolvimento encontrem maneiras diferentes de contribuir".

Gro Brundtland, que aos 41 anos se tornou a mais jovem e a primeira mulher a governar a Noruega (foi primeira-ministra três vezes), é também uma autoridade nos desafios ambientais contemporâneos. Ela presidiu a comissão das Nações Unidas que em 1987 lançou a bíblia do desenvolvimento sustentável, o "Nosso Futuro Comum" – que, não à toa, ficou mais conhecido como Relatório Brundtland.

A partir dali, o conceito de desenvolvimento sustentável se espalhou. Aos poucos, buscar alternativas aos combustíveis fósseis, preocupar-se com transporte público em detrimento da opção individual e criar menos pressão sobre os recursos hídricos deixaram de ser temas bizarros e começaram a avançar sobre o senso-comum.

Cinco anos depois da publicação do relatório, o Rio de Janeiro sediou a ECO-92, e de lá saíram duas convenções internacionais – do clima e da biodiversidade – e um compêndio de intenções para o desenvolvimento dos países mais pobres, a Agenda 21.

Mas as mudanças estão ocorrendo muito lentamente, diz. "Há coisas acontecendo, é verdade. Mas não são suficientes, e a degradação ambiental continua crescendo sem criar padrões sustentáveis", explica. "O drama das mudanças climáticas ficou ainda pior do que imaginávamos. Tornou-se óbvio, este ano, que estamos indo mais rápido para a direção errada."

Corrigir isso depende também de um engajamento de Brasil, Índia e China, ela acredita. Brundtland vê furos no argumento paralisante de que esses países ainda têm de lidar com populações abaixo da linha de pobreza e, por isso, lavam as mãos. "Não funciona assim: quanto mais você polui, mais crescimento econômico se consegue", diz. "Temos de conseguir mais consenso do que tivemos com Kyoto. Ali houve uma linha de corte que colocou os desenvolvidos de um lado e os em desenvolvimento de outro. Isto é muito cru, não é como o mundo parece ser."

Ela não poupa as nações industrializadas que deixaram empacar em suas belas intenções a Agenda 21, por exemplo. Enquanto países do norte europeu destinam 1% de seu PIB para cooperação e desenvolvimento, os EUA reservam 0,2%. "As coisas não andaram nas bases em que foram acertadas, e não há boas razões para muitos países industrializados não terem contribuído mais. Poderiam dar pelo menos 0,5% do PIB", alfineta.

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