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Para analistas, embargo da UE à carne brasileira é protecionista; preço deve cair

“O que eles querem efetivamente é limitar as exportações brasileiras, porque os produtores locais, por uma série de questões estruturais, não têm competitividade”, diz o consultor da AgraFNP, José Vicente Ferraz.

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Redação (30/01/2008)- Analistas ouvidos pela Folha Online criticaram o embargo da UE (União Européia) à carne brasileira, apontando um viés protecionista, e confirmaram que o preço da carne deve cair nos próximos dias no mercado local.

"O que eles querem efetivamente é limitar as exportações brasileiras, porque os produtores locais, por uma série de questões estruturais, não têm competitividade", diz o consultor da AgraFNP, José Vicente Ferraz.

O analista do mercado agropecuário Daniel Dias, da Dias & Aguirre Consultoria, lamenta que o Brasil não consiga reverter o "círculo vicioso" de embargos ao produto nacional e critica a falta "eficácia política" aos esforços do governo e lideranças do setor agropecuária para resolver o problema.

"Eles têm um nível de rastreabilidade do gado lá que é praticamente impossível para a gente por aqui. No Brasil, é comum um pecuarista com 10 mil cabeças de gado. Lá, um grande pecuarista tem cem cabeças de gado. Na Europa, o criador chama a vaca pelo nome", afirma.

"Precisamos entrar em um acordo sobre um nível de rastreabilidade viável. Somos um dos maiores mercados produtores do mundo de carne. Agora, temos que virar o mando de jogo. Não podemos ficar à mercê desses embargos", acrescenta Dias.

O consultor da AgraFNP José Vicente Ferraz espera que o embargo da União Européia à carne brasileira posse ser revertido nos próximos meses. Ele acredita que, com o aumento do preço da carne para o consumidor europeu, novas forças políticas podem se elevar para combater a medida da UE.

"O que nós vimos até agora foi o lobby dos produtores locais. Na medida em que começar a ter impacto no bolso dos consumidores, a afetar os distribuidores de carne, vai haver uma força política contrária [ao embargo]", afirma o consultor.

Para o consultor, o governo brasileiro ficou numa "situação vexatória" e a União Européia, numa "situação complicada" com o embargo. No caso do Brasil, porque o governo arcou com os custos e o desgaste de uma verdadeira em milhares de propriedades rurais. E no caso dos europeus, que devem ser pressionados a rever a decisão.

Para ele, é possível que a União Européia opte por uma flexibilização da medida, após fazer uma inspeção pelas propriedades brasileiras. "A questão é que outros produtores brasileiros vão ficar interessados. E o número de 2.300 fazendas pode subir para 5.000 muito rapidamente", diz ele.

Preço da carne

O analista Daniel Dias espera que o preço da carne caia como resultado do embargo europeu. "Quando você fecha um canal de distribuição, você restringe a demanda e deve afetar os preços", avalia. "O ciclo de baixa [dos preços], por causa do excesso de chuvas, de gado no pasto, neste momento, com certeza se acentua. Agora, por quanto tempo e quanto os preços vão cair, isso não é possível dizer", complementa.

"O preço da carne, com certeza, vai cair no Brasil. Num primeiro momento, vai até cair bastante, mas depois que ”baixar a poeira”, o preço retorna um pouco", afirma José Vicente Ferraz, da AgraFNP.

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