Reduzir custos e aperfeiçoar o desempenho da produção avícola brasileira é a meta do estudo da física Valéria Cristina Rodrigues, do Núcleo.
Produção animal e eficiência térmica em debate no Nupea
Redação (07/04/2008)- Reduzir custos e aperfeiçoar o desempenho da produção avícola brasileira é a meta do estudo da física Valéria Cristina Rodrigues, do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea), o qual propõe a utilização de ferramentas de precisão para o diagnóstico da eficiência térmica dos galpões usados na criação de frangos de corte.As altas temperaturas dentro dos aviários podem representar o maior entrave na eficiência produtiva das aves. A homeostase, capacidade dos animais em manter a temperatura corporal constante, consome muita energia para refrigerar o corpo quando submetido ao estresse térmico. O prejuízo do desempenho da produção é observado na diminuição do ganho de peso do frango, já que a energia foi gasta para manter a temperatura, ao invés de reservá-la ao crescimento.
Apesar de a cobertura ser responsável por aproximadamente 80% da eficiência térmica da construção, verifica-se, segundo a pesquisadora, algumas falhas, como a falta de manutenção e limpeza dos telhados, o que aumenta a ocorrência do enegrecimento da cobertura devido à sujeira, e consequentemente dificulta a troca de calor. “A falta de ventilação adequada, e a localização das edificações em regiões sem arborização agravam mais a situação térmica”, explica.Os reflexos das mudanças climáticas também são levados em conta no estudo, que visa propor alternativas para os produtores da área. Segundo a física, as instalações que foram feitas de acordo com a geografia local, topografia e clima, hoje se tornaram ineficientes com o advento das mudanças climáticas, originado pelo aquecimento global, pois houve alterações nos padrões do clima em diversas regiões onde se encontram as granjas.
A partir das deficiências detectadas, o estudo faz uso de técnicas do sensoriamento remoto, que permite identificar quais são os locais da instalação onde se apresentam maior retenção de calor. Além do diagnóstico, será feita uma análise da diversidade de tipos de construções em cada região do Brasil, aliada à ciência de materiais para o desenvolvimento de uma modelagem para experimento.
Leia também no Agrimídia:
- •Elias José Zydek, presidente da Frimesa, fala com exclusividade sobre a cadeia produtiva de suínos brasileira
- •Tendências da nutrição animal em Aquicultura; assista à entrevista com o gerente LATAM da Adisseo
- •Acesse o conteúdo exclusivo do webinar da TV Agrimídia com a professora Masaio; disponível para assistir e baixar
- •Webinar da Gessulli Agrimídia com a professora Masaio é hoje, às 15 horas
Com o modelo será possível retratar as condições de trocas térmicas entre galpões e meio externo, e estimar faixas condizentes à eficiência térmica da construção. O ambiente interno da instalação será medido através de índices de temperatura e umidade, comparado aos níveis de bem-estar das aves, medido pelo coeficiente de entalpia dos animais.
O resultado da integração dos dados coletados será um “índice de qualidade” para aviários. Para o orientador do projeto e coordenador do Nupea, Iran José de Oliveira Silva, o índice promoverá uma mudança de paradigma nas construções de galpões com essa finalidade, que hoje são feitos sem base de conhecimento científico.
Segundo a pesquisadora do núcleo, devido ao clima tropical brasileiro, o ideal é que sejam usados materiais com baixa inércia térmica, que propiciam a troca de temperatura com maior facilidade, como telhas de barro, e também, a instalação de pontos de ventilação natural.
As alternativas propostas pelo estudo também foca na redução do custo tanto na construção de novas granjas, como na adaptação das que já existem “A readequação das estruturas apesar de representar maior custo na produção no primeiro momento, será mais barato comparado à instalação de um sistema de refrigeração com dutos de ventilação, ou ventiladores automáticos, que podem elevar ainda mais o preço de construção de galpões para a criação avícola de corte”, afirma Rodrigues.




















